quinta-feira, 8 de março de 2012

Má Despesa Pùblica

Isto vem a propósito da transferência indevida de um pagamento à Lusoponte. É uma "gafe", uma irresponsabilidade ou um descuido, seja como quisermos considerar, o facto é que é mais um caso indiciador da forma como são geridos os dinheiros públicos.
Isto é o mesmo que dizer que a organização do Estado e a sua gestão, tem sido entregue a amadores ocasionais que de forma irresponsável e incompetente vão desbaratando os recursos financeiros da nação. Com graves consequências  e sem responsabilização.
Pior que o acontecimento em si, tem sido a corrida feita pelo ps atrás deste caso.
E referimo-nos apenas ao ps, pois o bloco de esquerda que o despoletou, limitou-se a fazer a exposição dos factos que desde há alguns dias já circulavam na NET.
E referimo-nos ao ps pelo simples facto de lhes caber a responsabilidade maior pelo descalabro das finanças publicas, pois compete-lhes e terão de responder pela maioria dos contratos relativos às PPP, assinados por representantes seus e que são provavelmente o grande motor e sustentáculo da corrupção instalada.
A transferência indevida para a Lusoponte pode ser corrigida.
Os contratos das PPP ainda nem sequer os conhecemos e torna-se urgente que o mais rápido possível possam ser do domínio publico.
Sobre a forma irresponsável e totalmente inadmissível como se vão delapidando os recursos financeiros disponíveis, aconselhamos uma visita ao Blogue "Má Despesa Publica". Sem duvida um excelente trabalho e uma fonte de informação de grande qualidade e rigor.
http://madespesapublica.blogspot.com/

sexta-feira, 2 de março de 2012

Essa flor de Abril. Finalmente, comecei a empobrecer !

Obrigado, meu deus, por essa dádiva maior que é a politica de empobrecimento que em tão boa hora nos foi anunciada.
A cada dia que passava sentia essa proximidade quase como se fosse um conforto ou uma fatalidade.
Antes de sermos pobres todos pensamos que é mau isso poder acontecer-nos. Enquanto não experimentamos a sensação de ir perdendo qualquer coisa, pensamos tratar-se de um assunto trágico ou deprimente ou até mesmo vergonhoso.
Não queremos ver o lado bom da coisa. E tem de ter um lado bom pois de outra forma não nos seria proposto como objetivo politico para a nossa vida nos próximos tempos.
Antigamente os pobres eram uma coisa pouco actualizada, eram apenas as sobras das guerras, das desgraças, da incúria dos governantes e até mesmo do destino. Na altura não eram precisas políticas  para fabricar pobres. Eles aconteciam naturalmente.
Depois, há uns anos atrás, alguns decidiram que era preciso acabar com isso e começar a fabricar novos ricos.
Deu-se inicio a essa produção em 1974.
Um conjunto de jovens "inteligentes" e prespicazes, moldados no conceito de democrático e com uma bandeira de "socialistas", lançaram as bases para as Unidades de Produção designadas por "incubadoras de riqueza".
O conceito era verdadeiramente inovador pois não eram precisos capitais próprios e tudo se resumia a entrelaçar a politica, o erário publico e os grupos de interesses já instalados.
Bastava-lhes usar a imaginação e os slogans, pois o resto viria por arrasto.
Foi assim natural vermos sair da miséria algumas franjas da população. Alguns deles iam mesmo demonstrando como se conseguem grandes fortunas, tanto para eles como para a família.
Bastava-lhes usar apenas um poder. O "democrático". Com esse poder consideraram-se inimputáveis, ao mesmo tempo que foram juntando a incompetência á irresponsabilidade, levando este País até ao esgotamento dos recursos financeiros e que nos conduziu á agora situação de empobrecimento seletivo. 
Com a mesma argúcia de sempre, a velha classe politica continua a manipular a população, que agora começa a voltar aos tempos antigos em que os pobres eram o produto corrente, mas os novos ricos saídos das incubadoras Autárquicas, do governo, BPNs e outras, são a face visível da qualidade dos políticos que ao longo dos anos desbarataram os recursos em proveito próprio e em projetos sem sentido nem justificação.
A hora do empobrecimento seletivo tinha que chegar.
Assim as frases patéticas, sem sentido e mesmo apalermadas, vão aflorando pelos lábios de muitos políticos. Uma comunicação social lastimável e que foi a primeira a assumir o estatuto de sobreveniencia extrema pois vive entrelaçada à escumalha política que a controla e lhe paga, depressa as difunde e amplia.
O povo, este povo manso e bruto, tudo absorve sem muitas vezes perceber ou questionar.
Por isso, é natural que até o presidente já tenha querido assumir o estatuto de pobre, não tendo pejo em faltar à verdade ao colocar o patamar da pobreza  nos 13.000 euros mensais. Como se isso não basta-se, emite frases sem sentido como a de termos de "continuar todos unidos para ultrapassar as dificuldades".
Estarmos unidos em que e para quê ? A massa dos pobres em conjunto com o pobre mor da presidência?
O País caiu nas mãos de gente sem vergonha em que se destacaram os limas, os loureiros, os socrates, acompanhados por toda uma vasta quadrilha de gente sem vergonha nem princípios.
A politica de empobrecimento decretada pelo actual primeiro ministro é de facto uma consequência. Só que os Países não se recuperam empobrecendo.
Era preciso lucidez e rasgos de competência inovadora para tirar o País do ciclo de miséria a que foi conduzido.
Infelizmente não temos políticos com essa capacidade de gerar e distribuir riqueza.
Assim, finalmente vou conseguir alguma paz ao empobrecer tranquilamente e deixar-me dormir até ao despertar anunciado para 2013.
Será um ano de tranquilidade absoluta.
Alegria maior foi a de ter conseguido arrastar para o empobrecimento mais oito bravos portugueses e deixar em espera outros dezassete que aguardam á dez anos que se possa avançar com o projeto que lhes daria trabalho. Na altura não percebia porque é que o País se podia dar ao luxo de ignorar aqueles que tinham ideias e capacidade para realizar obra e criar empregos. Só mais tarde é que percebi que o problema era meu. De facto tudo tinha que "passar pelas mãos" da classe politica. E esta, através dos tempos foi variando nas opções até termos chegado à solução final.
Tudo isto me dá um "orgulho" enorme em ser português.
E sinto que estou sintonizado com as politicas e expectativas dos nossos governantes.
E irei absorver essa nova sensação de engrossar a lista dos explorados e oprimidos.
E irei deixar de ver televisão e ouvir rádio.
E quando vier para a rua por já não ter comida, irei festejar com a restante massa famélica, esse acto de amor supremo pela pátria que é o de ostentar uma kalashnicov, uma G3, ou Uzi, para disparar algumas salvas em honra dos nossos governantes.
Irei bater-lhes palmas á saída do parlamento e depois irei pedir esmola para ultrapassar o final da crise.
Esperarei ansioso que chegue 2013.
Então, já de calças cossadas e camisa rota, olharei com orgulho para a bandeira e correrei para junto dos meus antigos funcionários. Começarei a espalhar a boa nova. A miséria acabou. Vamos todos poder voltar de novo ao trabalho.
Mas.... antes vamos ter de levar em ombros alguns destes políticos que tanto fizeram pelo País.
Eu mesmo gostaria de "transportar" josé socrates e escrever o epitáfio que ele merece.
E lá dirá.
Ao maior canalha politico da história contemporãnea e responsável pela desgraça que se instalou no País. Ser-lhe-ão confiscados todos os bens provenientes dos roubos efectuados durante a vigência dos cargos que ardilosamente foi ocupando e a sua tumba será transformada num mictório publico.
Depois sim, voltarei a sentir orgulho em ser português.
Isto se ainda cá estiver depois de ter passado pelos "festejos" pela recuperação da dignidade no País.
Carlos Luis

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Por onde anda a reação ?

Os que viveram os tempos do PREC lembram-se bem do slogan mais utilizado na altura para apontar ou hostilizar todos aqueles que parecessem não estar configurados á matriz revolucionária / comunista instalada.
Nesses anos de 74 e 75 a única alternativa que se apresentava a quem não se  enquadra-se naquela via, era optar pelo apoio ao chamado socialismo democrático. Como sabemos as coisas no Norte passaram de forma diferente.
Ser revolucionário era na altura quase uma obrigação e um dever. O país, a nível de algumas das principais cúpulas no poder, tinha enveredado por uma linha marxista / estalinista.
Fruto desse estado de coisas, a constituição consagrou mesmo como grande objetivo, a construção de uma sociedade a caminho do socialismo.
Por principio e convicção era na altura "reacionário" e paradoxalmente, alguns dos meus amigos mais próximos eram "comunas inveterados", como gostava de lhes chamar. Ao assumir que era reacionário era  a consequência de não gostar do modelo politico-social subjacente ás propostas que na altura dominavam o espectro politico e comunicacional.
Para quem conhecia o mundo e muito em particular a forma de vida instalada na U.R.S.S e países lemitrofes, algumas das boas ideias comunistas eram contrariadas pela prática em vigor naqueles países.
O slogan "fascismo igual a comunismo" era o cavalo de batalha da reação.

Sempre me pareceu que as ideologias acabavam por servir apenas para se concretizarem projetos de vida de alguns dos seus defensores.
Com maior ou menor dificuldade, os revolucionários da ocasião depressa se foram integrando no novo sistema que acabou por se implantar.

Tudo isto vem a propósito de algumas intervenções que na semana passada pudemos ver na assembleia da republica. Quando a determinada altura ouvimos dizer "senhor deputado o seu tempo terminou" pudemos ver o rosto sorridente do deputado comunista António Filipe. Estava na altura com as funções de presidente substituto. Via-se que o homem estava satisfeito e mesmo até "inchado".
Lembrei-me do PREC.
Estes não eram aqueles homens que queriam pela via revolucionária alterar o regime politico ?
E agora o que é que querem ou propõem ? O que é que fazem para contrariar esta linha politica que vai ao arrepio de tudo aquilo que são os fundamentos da teoria marxista ?
O que é que propõem os seus sindicalistas ás massas trabalhadoras, para lá de manifestações inócuas e sem qualquer resultado ?
Iresia suprema. Defendem também a tão inadmissível estabilidade ! Lembremo-nos da "repulsa" dos dirigentes da Inter sindical pelos distúrbios verificados aquando da ultima manifestação.
Concerteza que os verdadeiros comunistas devem sentir repulsa pelos seus actuais representantes.
Certamente que não será com esta gente que irão conseguir alguma vez alterar o agora designado sistema democrático.
Será que este também lhes serve ? Já não sentem vontade de vir para a rua gritar ?

Acabámos assim por chegar a um regime politico anacrónico e sem capacidade de resposta ás necessidades do País, onde as ideias servem apenas para serem lançadas ao vento e o que conta é a mesa da sala de jantar onde todos se encontram e onde comem do mesmo prato.
Sinto saudade daqueles que fizeram o Maio de 68.
Sinto saudades do Zeca Afonso.
Sinto saudades de todos aqueles que foram genuínos e sinceros mesmo que as suas ideias não fossem as minhas.
Gosto daqueles que se assumem e combatem mesmo sabendo que uma batalha não faz a guerra.
Sem duvida que fui "reacionário" em 74, assim como sou em 2012.
Continuo a pensar que é exigível um outro tipo de ação politica que permita corrigir a estrutura social e atenuar as desigualdades, propiciando níveis de desenvolvimento que nos possibilitem afastar da espiral de pobreza em que nos encontramos.
O actual regime politico não pode subsistir por muito mais tempo, pois apenas serve a classe politica instalada e os grupos de interesses que a ela estão ligados. Para este combate aceitamos integrar-nos com todos aqueles que façam da ética e dos valores os referenciais obrigatórios a atingir. Sejam quais forem as bandeiras ou as ideologias.
Os amigos não se escolhem e os melhores que tive até se diziam comunistas.
Onde é que andará o Afonso Gradiz? 
Como oficial miliciano no R.A.C. em 1970, tudo fazia em prol da melhoria das condições dos soldados ali destacados. Encontrava-se mais vezes nas casernas que na messe dos oficiais.
O Fernando Ribeiro que é actualmente professor numa universidade em Moçambique e que no final dos anos 60 como técnico do SNE - serviço nacional de emprego, prolongava pela noite dentro o seu horário de trabalho para junto daqueles que se apresentavam á procura de emprego os poder ajudar da melhor forma possível.
Estes sim, justificavam as ideias que tinham e comprovavam diariamente um elevado sentido de solidariedade.
O nosso tempo de passagem ficará perdido se nas memórias dos que ficam nada ficar registado que nos possa orgulhar. Por muito pouco que nos possa parecer.
Foi por isso que hoje me lembrei do Fernando e do Gradiz. Com eles presentes, o combate seria mais fácil.
Carlos Luis

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O lento despertar

A fuga de Cavaco e os apupos de Coelho são talvez os primeiros sinais do fim da letargia instalada. Parece que o impulso da população se vai dirigindo cada vez mais no sentido de focar diretamente os principais responsáveis pela manutenção do sistema.
E é urgente que isso aconteça, pois aquilo que não desculpamos a quem compete a responsabilidade pela governação é vermos a continua impunidade dos gestores que continuam no ativo e a aumentarem as despesas e os prejuízos das empresas do estado.
E vermos o aumento galopante dos encargos resultantes dos acordos feitos no governo de socrates com as concessionárias das scuts, por exemplo.
E continuarmos a não ver renegociados e corrigidos os contratos das parcerias publico / privadas.
E continuarmos sem saber quem são os arrendatários dos edifícios do Campus da Justiça.
E continuarmos sem reagir ao aumento brutal dos custos da electricidade.
Poderíamos continuar com mais uma série de exemplos. No entanto aquilo que já se torna incompreensivel e inaceitável é a manutenção do encobrimento inter partidos.
Tornou-se claro e é evidente que estamos cercados e aperreados a um ciclo politico de gente sem princípios nem valores, a quem apenas interessa ir garantindo a alternância politica para manutenção do sistema que lhes vai garantindo os privilégios, sabendo que a grande maioria da população é facilmente controlável através dos meios de comunicação que têm ao dispor.  
Aquilo que se vem passando com as medidas tomadas até agora por este governo são reveladoras do intuito subjacente à politica seguida e que se traduz na redução da massa salarial em cerca de 30% de forma a "equilibrar" o sistema com os "mercados" e assim garantir a continuidade da politica de um País, duas classes. A classe politica que continuará a usufruir a seu belo prazer do sistema e a restante população subdividida numa classe média nos limites da pobreza e os verdadeiros pobres.
Será que os que apuparam Coelho já perceberam isto ?
Claro que não. Por enquanto só sabem que estão mal e necessitam gritar.
Mas... se amanhã houvesse eleições aqueles que tinham votado psd, iriam certamente votar ps. Quebrar este equivoco é certamente um desiderato a alcançar. Mas como ?
Se souberem, ajudem-nos.
Obrigado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Face dupla

Isto é um assunto muito sério, pois trata-se de saber até que ponto a classe politica continua a dispor do erário publico em beneficio próprio e à margem das exigências de rigor que impôs à restante população.
É ofensivo continuarmos a ouvir apelos à estabilidade e termos que assistir a esta ausência do sentido das responsabilidades, que pelo vistos se alarga a toda a escumalha politica.
Leia-se o excelente artigo de Rui Costa Pinto.
À beira do inimaginável
Passos Coelho continua a fazer orelhas moucas à revelação dos gastos com recurso a cartão de crédito, enquanto apregoa a necessidade de rigor para os outros.
O primeiro-ministro e o governo estarão acima da lei e dos tribunais?
A situação económica e financeira tem permitido ao governo e à maioria PSD/CDS-PP impor medidas excepcionais no limite da legalidade. Em parte serão justificadas pelos tempos de emergência, mas importa saber quais são os limites da governação que parece cada vez mais balizada por uma espécie de estado de sítio, desde já levantando a questão que se impõe: o primeiro-ministro e o governo estarão acima da lei e dos tribunais? A resposta formal é não, mas a percepção é contrária, tendo em conta que Pedro Passos Coelho e outros membros do governo ainda não respeitaram uma dupla decisão do Supremo Tribunal Administrativo (7 de Dezembro de 2011 e 24 de Janeiro de 2012) que obriga à disponibilização de documentos relativos às despesas e subsídios auferidos pelos elementos dos gabinetes governamentais no exercício de funções.
Ambas as decisões judiciais, que resultam de uma acção interposta pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses, honram o exercício dos direitos de cidadania e os deveres da administração. E os magistrados até vão mais longe, com base no direito constitucional dos cidadãos à informação. Isto é, a partir de agora, por exemplo, um qualquer jornalista pode escrutinar a actividade do governo, exigindo ao primeiro-ministro, a um ministro ou a qualquer outro elemento de um gabinete governamental que revele, detalhadamente, como, quando e com que fundamento gastou o dinheiro dos contribuintes.
As duas decisões corroboram também o alerta da auditoria aos gabinetes governamentais levada a cabo pelo Tribunal de Contas (Relatório n.o 13/2007 – 2.a Secção): “Para além das componentes remuneratórias atrás referidas, encontram-se ainda atribuídos ao pessoal dos gabinetes outros benefícios suplementares para os quais não existe um quadro legal que regulamente a sua atribuição.” Não obstante a recomendação ignorada e as duas decisões fundamentadas de um tribunal superior, Passos Coelho continua a fazer orelhas moucas à revelação dos gastos com recurso a cartão de crédito, ao uso de viaturas e telefones móvel e fixo, enquanto vai apregoando aos sete ventos a necessidade de disciplina e rigor para os outros. Ou seja, são exigidos sacrifícios máximos aos portugueses e disciplina financeira férrea à administração e às empresas do sector público, mas o regabofe despesista nos gabinetes dos titulares do poder executivo continua no maior e mais injustificado segredo. O primeiro-ministro passou a poder evitar os deputados quando chamado vinculativamente a uma comissão parlamentar, respaldado na interpretação regimental de Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, ratificada em plenário pela maioria. Mas só faltava que tentasse escapar às decisões judiciais com base no silêncio, num expediente processual ou até através da alteração da lei in extremis para tentar acautelar a interposição legítima de queixas-crime por encobrimento ou desobediência.
A manter-se esta incompreensível recusa de ceder a documentação exigida, com particular destaque para Vítor Gaspar, ministro das Finanças, estamos à beira de um braço-de-ferro inimaginável, que põe em crise a separação de poderes.
Para quem ambiciona afirmar a imagem de rigor nas despesas do Estado não há qualquer margem de manobra, pois já não se trata apenas da prestação de contas política. A não ser que se pretenda liquidar a réstia de transparência na governação, escondendo deliberadamente aos portugueses a realidade dos gastos nos gabinetes governamentais.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Estado em Desenvolvimento ?

A conjuntura mundial, o desfasamento entre as economias e a politica, a dependência dos mercados financeiros, a gestão dos recursos disponíveis e a cada vez maior inter relação do risco empresarial face ás expectativas e exigências de equidade colocadas pelo fator trabalho, irão determinar as linhas de pensamento que irão servir de guia para o desenvolvimento dos futuros regimes políticos.

O que está a falhar agora, tem a ver com o desfasamento entre o conceito e o funcionamento da economia assente num suporte intermédio excessivo ( Banca e Bolsa ), com uma relativa desvalorização da componente trabalho que já nada tem a ver com os modelos do século passado e que levaram à perda da noção de responsabilidade empresarial.
Muita da energia que sustentou grande parte da história do crescimento das economias modernas perdeu-se. Hoje existe um "gap" enorme entre as expectativas individuais e aquilo que a estratégia politica pode oferecer em termos de oportunidades de desenvolvimento.
A forma e a atitude individual entraram em falência.
As próprias ideologias que ainda sustentam os slogans políticos, já vêm do século XVIII.
Vivemos assim numa época de transição que terá fatalmente que conduzir a novas formas de organização social e económica.
Desde há muitos anos que defendemos um conceito de empresa que equilibre as relações entre capital e trabalho. Dada a extensão do tema não é possível desenvolve-lo num texto de blogue. Nada impede no entanto que se afirme, que por todas as razões, será aconselhável que o sentimento de realização e compromisso possa ser alargado de igual forma a patrões e empregados. As vantagens  são de tal monta que temos dificuldades em perceber porque é que não se avançou já nesta direção. Não basta falar em economia social. Isso é apenas mais um slogan tanto ao gosto da escumalha socialista.

Entretanto continuam a surgir os apelos ao empreendadorismo.
Retirando o facto de ser mais um balão de oxigénio para alguns que vão ficando sem perspectivas de vida, nada de substancial ou com interesse irá resultar. Estas iniciativas vão surgindo de gente que pouco ou nada sabe da realidade "concreta" que é o País.
Ao dizermos isto, é porque aquilo que sempre fomos, foi sermos empreendedores.
Por esse facto, conhecemos por dentro a mediocridade da classe politica que há tantos anos vem defraudando as expectativas de muitos daqueles que pensaram que em Abril tinha nascido uma flor. Ou uma esperança. Ou uma sociedade mais justa.
A verdade é que nunca tão poucos enganaram tanta gente.
Nasceu de facto uma nova sociedade, só que com gente corrupta, sem ética nem responsabilidade.
O País pouco se desenvolveu devido a este ciclo de gente pouco séria.
Dentro das nossas possibilidades, tudo fizemos para correr com socrates e a escumalha socialista que o acompanhava.
E conseguiu-se.
Em resultado das ultimas eleições  depositámos alguma esperança em Álvaro Santos Pereira, pois seguíamos o blogue Desmitos que na altura era uma das referências na NET e comprámos mesmo o ultimo livro que tinha publicado - Portugal na hora da verdade -, afim de verificarmos se algumas das suas ideias para o Desenvolvimento poderiam coincidir com as nossas.
Uma delas, o Turismo residencial, correspondia ao que vimos a defender há mais de 20 anos como uma das opções para o desenvolvimento sustentável do País.
Pensando poder dar algum contributo para que se pudesse avançar rapidamente, apresentámos ao ministro um conjunto de ideias e projetos aos quais estamos ligados e que julgamos serem adequados para dinamizar a curto prazo um concelho do Interior e assim servir de referência para futuros desenvolvimentos. Nesse sentido, em 18 de Agosto entregámos no Ministério da Economia uma exposição e pedimos uma audiência, a que ainda não tivemos resposta.
Não estamos certos se o Ministro estará consciente de que o Ordenamento do Território inviabiliza quase totalmente a capacidade para se poder de forma séria e sustentada desenvolver tais projetos.
É que para nós são mais de 20 anos de expectativas goradas e cuja consequência maior continua a ser o despovoamento de vastas áreas no Interior do País.
Ao mesmo tempo fomos perdendo energias, tempo, dinheiro e acima de tudo sermos obrigados a ter que lidar com a insensibilidade e incompetência dos mais diversos órgãos da administração pública.
Passados 6 meses, interrogamo-nos.  Para lá da austeridade, que não estava escrita no livro, em que áreas é que o ministro entende que se deve empreender ?

Das poucas coisas que ainda somos capazes de oferecer ao País é a nossa capacidade em fazer,  assim como um "know-how" especifico que julgamos deveria ser aproveitado enquanto é tempo.
Embora não tenhamos publicado nenhum livro, fizemos algumas exposições sobre o tema da RURALIDADE versus TURISMO RESIDENCIAL.
E elaborámos CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.
Sabem o que é que disto resultou ? Nada em concreto.
Apenas um convite para me candidatar a presidente da Câmara de um determinado concelho.
As ideias e os conceitos para o Desenvolvimento da Região foram uma coisa secundária a que não deram qualquer sequência.
Os resultados são hoje bem visiveis e comprovam a total incompetência que se instalou no País.
Esta é a "nossa gente" !
Carlos Luis

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

De nervos em franja

O rápido desmantelar das estruturas básicas de funcionamento da nossa economia, provocam-nos uma sensação de impotência e revolta que cada vez mais temos dificuldade em controlar.
A quase totalidade dos políticos que desde 74 nos arrastam atrás de slogans e promessas sem sentido, não conhecem a realidade social em que assenta o funcionamento da nossa economia e mais não fizeram que desbaratar fundos e apoios externos que nos foram concedidos.
Quando isso não chegava para as loucuras que lhes foram sendo permitidas, recorreram aos "mercados".
Com um País sempre em endividamento constante, nunca se inibiram de ir utilizando as empresas publicas e os organismos de estado, para aí se instalarem e sem qualquer pudor irem auferindo vencimentos e regalias que fazem corar qualquer vigarista em inicio de actividade.
Esta situação continua em pleno funcionamento e aquilo que se passa nas Galps ou nas EDPs ou nas Carris ou nas Fundações etc, são autênticos crimes de lesa pátria.
É revoltante ver um Jorge Sampaio vir apelar ao nosso sentido de responsabilidade e compreensão para com os sacrifícios pedidos, quando o traste custa ao estado mais de 40.000 Euros mês. Temos que pensar em que armas poderemos pegar para limpar esta merda toda. Estamos cansados de ver e sentir tanta falta de reação deste povo.
Como é que é possível que ninguém se incomode com a continuidade deste estado de coisas ?
Muito sinceramente, estamos desiludidos.