Permitam-me que seja um pouco intimista.
Sem dar por isso, estive dois dias quase sem ter noticias.
A única que tive não foi muito agradável pois decidi ir ao multibanco ver o saldo da conta e não fiquei nada satisfeito.
Pior ainda fiquei, quando no vazio informativo fui dando asas à reflexão sobre alguns aspetos que por vezes nos incomodam e inquietam e temos grande dificuldade em os aceitar. Até porque estive num almoço de família e acabamos sempre por falar na situação complicada a que fomos chegando e nesse aspeto o sentimento não diverge e a opinião é quase unânime. Como é que foi possível ?
Como é que tanta gente "informada" e alguma até consciente, permitiu que ao longo de vários anos se fossem acumulando erros e decisões completamente irresponsáveis que conduziram o País à bancarrota ? Isto, sem que tivessem tomado as decisões que o interesse nacional exigia.
Uma vez que estava a fazer alguma introspeção, tenho que assumir que também só tardiamente resolvi tomar parte nesta pequena onda de contestação e esclarecimento que se vai sentindo nalguns órgãos de comunicação, na blogoesfera, e por parte de algumas personalidades como Paulo Morais ou Medina Carreira.
Tudo isto leva-nos a uma conclusão. Acabámos por ser também cúmplices da geração de "chulos sociais" que engrossaram a escumalha humana e politica que conduziu e se aproveitou do País durante quase 40 anos.
A nossa inércia e incapacidade de reação tem que ser assumida. Bastava termos exercido os nossos direitos de cidadãos.
O que agora se exige é encontrarem-se formas de podermos ter alguma capacidade acrescida para se intervir. E isso não poderá ser feito dentro do actual sistema politico.
Se esperanças havia sobre as capacidades de alguns dos novos governantes, aos poucos tudo se vai perdendo.
O que cada vez mais está em causa é mesmo a sobrevivência de um determinado modelo de sociedade. E sobre isso não temos duvidas. Quanto mais se forem diluindo os elos sociais e destruídas as bases funcionais do sistema económico, menos seremos capazes de reagir.
Quando isso acontece, no horizonte depressa se começam a vislumbrar as hordas de oportunistas que de novo voltarão a ser liderados por outra qualquer escumalha politica. Ou se calhar a mesma.
Faz falta gente que se assuma e se disponha a intervir.
Estamos convencidos e quase que poderemos dizer, certos e seguros, que esta politica vai ter consequências letais para o nosso País e o nosso modo de vida.
Ao dizermos isto até consideramos que actualmente não existem os mesmos pressupostos de irresponsabilidade e corrupção que existiram no governo anterior.
No campo da ética, penso que não são a mesma gente.
Mas, quanto a incapacidade politica parece-me que estão muito próximos, pois é assustador continuarmos a ver a mesma inércia no que se refere à tomada de medidas que pudessem de forma rápida permitir a correção de alguns dos entraves estruturais que bloqueiam o País.
Compete-nos a nós fazer aquilo que o governo tarda em fazer, ou seja, assumir que teremos que atuar de forma a obrigar a uma inversão nas politicas, ou mesmo no regime.
Se não formos capazes de tomar as iniciativas que a situação exige, iremos lamentar mais tarde a nossa falta de capacidade de reação.
Ao pensar nestas coisas, estou certo que muitos outros pensarão o mesmo e até talvez sintam a mesma vontade de se avançar para uma qualquer forma organizada que nos permita intervir de forma mais eficaz e consentânea com os valores que defendemos.
Continuo a ter esperança que em breve o possamos conseguir.
Carlos Luis