segunda-feira, 6 de agosto de 2012

À espera que o sol se ponha

Neste País em que nada acontece a não ser a repetição crónica e sistemática dos dias que vão passando, só os jogos olímpicos, a guerra na Síria e alguns incêndios, é que nos vão trazendo um pouco de emoção.
Infelizmente, já nem conseguimos ver com a mesma regularidade a fuça manhosa de miguel relvas. Embora isso nos cause asco, ao mesmo tempo também nos divertia.
Os assuntos mais sérios ficam para mais tarde, pois não são bons para serem discutidos neste tempo quente.
Agora ninguém quer ouvir falar do continuo aumento das falências, do desemprego, do crédito mal parado, da subida dos combustíveis, das multas, etc. Isso iria incomodar as nossas gentes. 
Bastam umas noticias de vez em quando nos telejornais e nem temos que estar a preocupar-nos com isso. Temos uma troika a cuidar de nós e Fátima está aqui tão perto.
A troika já sabemos que é boa. Se for preciso põem cá mais dinheiro e se não conseguirmos pagar a horas, não tem problema. Eles prolongam o prazo. Depois alguém irá pagar.
Agora queremos é gozar férias.
Não nos chateiem com as tretas do costume. Os homens que temos à frente disto estão a trabalhar, pá.
Suspendam é os programas com Henrique Medina Carreira. Esse doido anda há vários anos a chatear-nos com gráficos e previsões que só nos incomodam. Nós não queremos saber nada daquilo, pá.
Fechem a boca ao Paulo Morais, ao Tiago Guerreiro, ao José Gomes Ferreira e a mais meia dúzia deles que não nos deixam descansar a cabeça.
Temos o campeonato nacional quase a começar e ainda nem sabemos a constituição das equipas.
O coentrão sempre volta ?  Há, não sabem !
Mas para mandarem postas de bacalhau sobre a economia já estão prontos.
Ouçam. Façam-nos um favor. Vão trabalhar, façam qualquer coisa, pá.
Já estamos fartos do choradinho de que os nossos filhos mais tarde é que irão sofrer as consequências.

He lá ! será que estes gajos têm razão ?
Haverá para aí alguma solução milagrosa ?
Será que a vida irá recompor-se lá mais para a frente ?
Bom, os portugueses sempre foram um povo destemido e capaz de descobrir mundos e novos fundos, quando a miséria lhes bate à porta.
E ela vai bater. Mas eles sabem que será certamente na porta do lado.
Este bom e embrutecido povo tem a garantia de proteção da virgem e confia que os anjos da guarda vão trocando os números das portas.
Pode parecer mal ou injusto, mas..... que se lixe. Enquanto a desgraça for alheia não temos que nos preocupar. São assim os homens das bejecas.
E será assim que o tempo vai passando até que o sol se ponha, as praias fechem e o fim do ano se aproxime. Então, já no inverno, a temperatura talvez comece a subir.
Os fatores de aquecimento são muitos e não se vê forma de apagar a fogueira.  
Não será apenas o peso de mais um corte nos vencimentos. 
É a expetativa quanto á situação real em que se irá encontrar a nossa economia.
É isso que esperamos saber lá mais para o final do ano.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A força que é preciso ter

A contestação ao sistema e à classe politica instalada tem sempre custos e incómodos.
Todos os que de alguma forma se foram levantando, acabaram sempre por ver as suas vidas dificultadas nas mais diversas situações. O sistema tem os seus metodos de funcionamento e controlo destes casos. 
O principal objetivo e a necessidade maior é a de que os contestatários mais ativos não se espalhem muito, pois isso poderia levar mais gente a entusiasmar-se e aderir à contestação.
Eles conseguem por diversas formas fazer-nos lembrar que continuamos a depender do sistema.
É isso que vem acontecendo com um dos dirigentes desta associação.
Todos os projetos que nos últimos anos pretendeu desenvolver continuam sem viabilização, duas empresas que tinha em funcionamento cessaram actividade, o convite que em tempos lhe foi feito para dar aulas numa universidade foi cancelado e curiosamente nos últimos anos não voltou a ser sondado para se candidatar a um lugar autàrquico. Sobre este último aspeto posso informar que nunca esses convites foram aceites ou sequer ponderados.
Um dos métodos utilizados pelo sistema é irem-nos protelando os processos quando pretendemos dar andamento a qualquer situação em que seja obrigatória a intervenção de organismos públicos. Para que se perceba bem até ao ponto a que se chega, iremos transcrever resumidamente o caso que envolve a ccdr-lvt. A exposição transcrita, contem os elementos suficientes para se perceber a situação.
Exmo senhor diretor
Recebi o despacho proferido por V.Excia em 25-7-2012.
Após quase dois anos de contatos e de envio de informações e pagamentos diversos, as justificações que apresentou para inviabilizar o nosso pedido deveriam envergonhar qualquer gestor com responsabilidades assumidas em nome do governo Português.
É que a sua decisão é ridícula, tal é a falta de senso demonstrada.
É também criminosa e penalizadora, pois dela derivam prejuízos e indicia a prática continuada de abuso interpretativo das leis e falta de entendimento do que deveriam ser os verdadeiros objetivos das CCDRs.
A nossa integração na U.E. obriga a que os Organismos públicos tenham outra postura e comportamento perante os cidadãos.

Repare na falta de discernimento que revelou ao assinar este despacho:
O senhor entende que uma casa que existe há mais de 70 anos, nunca teve, nem tem que ter um caminho de acesso ! ?
Penso que provavelmente nos está a aconselhar a utilizarmos o avião e o pára-quedas, sempre que precisarmos de ir para casa.

Também concluiu que uma casa com mais de 70 anos, que já teve pelo menos dois incêndios e ainda tem as paredes de pé, apresenta riscos para a segurança de pessoas e bens !
Ficámos sensibilizados com a sua preocupação, principalmente na proteção dos bens. Como também não queremos correr risco de vida, pensamos que a sua sugestão é no sentido de se poder instalar uma tenda de campismo e não pensarmos mais em casas de alvenaria, pois têm sido muitos os desmoronamentos verificados e o número de mortos não pára de aumentar.

Tudo isto se passa e se escreve como se do lado de cá estejam uns simples imbecis que não merecem mais que continuar á espera de uma qualquer súbita benevolência por parte de V.Excia ou que um qualquer esclarecimento divino lhe traga a razoabilidade do entendimento comum.
Mas já não será necessário. Não lhe vamos solicitar mais nada.
O que vamos fazer é exigir-lhe responsabilidades.
Estamos cansados e revoltados e nada nos vai impedir de enveredar pelas vias que considerarmos adequadas a dar uma solução à sua incompetência.

No entanto o que esta decisão também demonstra é que terão de haver outras razões, pois se fossem só estas, o mínimo que deveria fazer se tivesse vergonha, era pedir a demissão tal é o ridículo a que se expôs.
De facto, o caso em apreço é bem elucidativo de que qualquer coisa não está bem explicada, pois nada justifica termos tido o tratamento exaustivo a que fomos sujeitos durante quase dois anos e recebermos agora este despacho.
Estamos a falar de um terreno com a área de 64.000 mts, que não estava em REN quando há mais de 20 anos o adquirimos e onde pretendíamos desenvolver um projeto de turismo residencial que iria enquadrar-se nos objetivos previstos no plano de desenvolvimento estratégico da Câmara a que pertence. Depois de elaborado e apresentado, o vereador do urbanismo salientou a valia e o interesse do mesmo para o Concelho.
Dado que nessa altura o PDM estava em fase de revisão, foi acolhido e inicialmente selecionado pelo gabinete técnico.
Depois, talvez porque não o tivéssemos "acompanhado devidamente", não foi considerado.
Ficámos assim com um espaço rural sem qualquer aproveitamento e para o qual urgia encontrar uma solução.
Dado que as condições do terreno se iam degradando com incêndios na casa e na zona arborizada, nos constantes vazamentos de entulhos que vão sendo feitos e na permanente devassa da propriedade, resolvemos criar condições para podermos garantir a segurança e a rentabilidade dos terrenos, com base numa exploração agrícola de produtos biológicos.
O mínimo que se poderia esperar das autoridades que se dizem de Coordenação e Desenvolvimento Regional, era o total apoio e incentivo, pois tratava-se de investimento a ser feito por privados, garantia a proteção e aproveitamento de solos há muito abandonados, criaria empregos e representava uma pequena valia regional.
A única coisa que solicitámos foi poder recuperar a construção existente e serem-lhe atribuídas as condições de habitabilidade a que obriga a legislação em vigor. Nada mais.
Trata-se de uma pequena casa térrea com cerca de 120 mts.

Meu caro senhor. Nem todos somos estúpidos ou débeis mentais. Muitos de nós temos desde há muito a perceção clara daquilo que se foi passando neste País.
Não foi por acaso que em 2009 nos batemos pela demissão do estropício político que estava à frente do governo.
Sabemos perfeitamente quais foram os objetivos subjacentes á cobertura em REN de grande parte do País e estamos agora a comprovar as consequências.
A desertificação do Interior, o abandono das matas e a proliferação dos incêndios, cresceu na mesma medida da corrupção proporcionada pela legislação existente.
Perdeu o País, perdemos todos, exceto aqueles que ardilosamente foram construindo o atual ordenamento jurídico. Para que as "coisas" pudessem funcionar e as decisões poderem ser controladas pela escumalha politica que se foi instalando, era necessário garantir que nalguns pontos estratégicos estivesse gente escolhida, não pela competência, mas sim pela obediência às estruturas que foram ocupando a máquina de Estado.
Estamos crentes e V.Excia assim o comprova, que a estes gestores não lhes foi exigida capacidade de ponderação ou discernimento. Antes pelo contrário. Deveriam, se possível, ser pessoas "sem grandes rasgos" e suficientemente limitadas no entendimento do conceito de defesa do interesse público. Parece que a função primordialmente exigida era a de indeferir e condicionar a grande maioria dos processos e esperar que as vitimas enchessem os escritórios de alguns advogados e chegassem até junto dos intermediários das estruturas politicas. Depois tudo se resolveria.
As falsas preocupações com a ecologia, o desenvolvimento sustentável das Regiões, o cumprimento das normas artificiosamente vertidas em regulamentos distribuídos aos técnicos .....tudo pode ser ultrapassado.... e sempre, mas sempre, dentro da legalidade.
Os Freeports, as Covas da Beira, os sobreiros, a quinta do Ambrósio, as desafetações no Alentejo, etc etc, floresceram sem que se tenha conhecimento de qualquer tomada de posição de dirigentes das CCDRs.
Onde é que estava V.Excia nessas alturas ? Nunca se sentiu incomodado ? Andou pelo País a fazer a denuncia desses autênticos atentados ao património publico ?  Publicou artigos a denunciar a situação ?  Não ?  Não fez nada ?  Se calhar nem podia. A sua obediência era e é ao sistema.
O País é uma coisa exterior, insípida, de gente "pedinchona" que passa a vida a aborrecê-los com pretensões menores, como as de poderem recuperar uma pequena casa.
De facto não sabemos qual será a sua utilidade à frente de um organismo que teoricamente se pretendia que fosse imprescindível para o desenvolvimento regional. Prevemos que o senhor tal como muitos outros, tenham sido escolhidos por um qualquer desígnio, que não era certamente do interesse do País, pois se assim fosse não teríamos chegado á situação calamitosa em que nos encontramos.
Os senhores nunca deixaram obra, só deixaram dividas.
Quando agora o País luta pela sobrevivência e apela ao investimento, acabamos por comprovar que são estruturas do próprio Estado que inviabilizam essa possibilidade.
Nunca conseguiremos progredir enquanto se mantiver o atual ordenamento jurídico e gente sem qualidade e sem entendimento do que é o serviço público puder continuar á frente de Órgãos essenciais ao desenvolvimento equilibrado, que urgentemente se terá que alcançar.
Não iremos pactuar com a impunidade instalada.

Espero que as nossas tomadas de posição relativamente ao anterior governo e em nome da Associação que dirijo, não tenham sido o motivo por detrás do qual acontecem decisões destas. Irei no entanto tentar perceber se por acaso V.excia também pertence à mesma nomenclatura que conduziu o País à bancarrota e foi protagonista dos mais escandalosos casos de corrupção e irresponsabilidade governativa.
Talvez as suas origens possam ajudar-nos a esclarecer alguma coisa.
Carlos Luis
Lisboa, 2 de Agosto 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ecco l'uomo

Esta frase tem atravessado os tempos e encerra em si um forte conteúdo emocional pois anda ligada a acontecimentos marcantes da humanidade, tem um peso específico muito próprio e normalmente anuncia uma chegada que gera grandes expectativas.
Eis o homem ! 

Uma frase simples, mas que pode adquirir uma dimensão extravasante, tanto mais sentida quanto maior for a falência dos valores e a impunidade instalada.
É sempre o grande anuncio que se espera ouvir nas situações mais complexas que as sociedades enfrentam.
Os povos precisam de saber que dispõem de reservas humanas capazes de cumprirem as expectativas e responderem aos anseios das populações.
Quando for maior o declínio e a perda de credibilidade das Instituições, maior será o apelo e a espera por esse anuncio.
A interrogação é constante e espera-se sempre que o Homem venha a aparecer.
A sorte das Nações sempre dependeu da qualidade de quem as dirige.
Infelizmente o nosso País não teve sorte.
Parece que se juntou aqui a escumalha politica adormecida ao longo do tempo.
Perante o descalabro a que se chegou, espera-se que algo de novo, diferente e impactante venha a surgir.
Temos de ser capazes de vislumbrar soluções e encontrar gente capaz de assumir responsabilidades.

A transcêndencia de alguns torna-os mais visíveis sempre que a ética e os valores vão soçobrando perante a ganância  e a impunidade instalada e eles são capazes de se sobrepor e demonstrar a falácia do sistema e a indignidade dos seus principais mentores.
Com efeito, gente indigna e sem escrúpulos foi desenhando um sistema politico que serviu no essencial para arranjarem fortunas colossais e garantirem uma estrutura de estado e de empresas publicas á medida das necessidades familiares e politicas. 
Como corolário das suas façanhas instituíram a corrupção a todos os níveis, ao mesmo tempo que garantiram a impunidade judicial perante os crimes que foram cometendo.

Contra este estado de coisas alguns se foram levantando.
Medina Carreira falou alto e com bom som, sobre as indignidades cometidas por alguns políticos, assim como foi alertando para a criminosa gestão da coisa publica.
Tinha toda a razão. Foi pena não se ter candidatado à presidência da republica. Hoje temos lá um mono.
Mas o País provou que continua a gerar grandes homens.
Paulo Morais pelo que já fez, pelo que já disse e pelo que já escreveu, ganhou credibilidade, confiança e a estatura necessária para poder vir a responder aos anseios desta velha Nação.
Esperemos que brevemente alguém possa dizer;
ECCO L'UOMO !

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Branco, apenas de seu nome

Aos poucos, foi-se perdendo a expectativa e esperança que depositámos nalguns membros deste governo.
Não nos podemos esquecer que na altura  era essencial correr com a escumalha socialista liderada pelo gfp socrates e respetiva camarilha. 
Embora conscientes que tanto ps como psd não passam de simulações alternativas, a verdade é que estávamos e estamos condicionados nesta escolha.
Infelizmente e para escolhermos aquele que nos parece o mal menor, acabamos sempre por cair nesta armadilha preparada pelo actual sistema, a que ardilosamente chamam democrático.
Quem como nós se opõe e denuncia a perversidade do mesmo e clama pela urgência da sua substituição, vai sendo sistematicamente desacreditado pelos "homens" do sistema que depressa nos colocam os rótulos que acharem mais convenientes. 
Têm mesmo alguns intelectuais de serviço enquadrados em blogues quase insuspeitos. 
Acontece no entanto que somos sérios, ideologicamente descomprometidos, com um forte sentido de justiça social e fortemente determinados a contribuir para o derrube deste regime iníquo e vergonhoso, montado por esta escumalha política para seu benefício e em prejuízo do resto do País.
Tivemos contudo alguma esperança. 
Integravam o novo governo alguns nomes que se tinham destacado pela crítica contundente e esclarecida que ao longo do tempo foram fazendo à anterior desgovernação.
Com isso ganharam o nosso apoio e expectativa quanto à capacidade em tomarem medidas corretivas da situação económica em que nos encontrávamos, assim como avançarem para um novo patamar de responsabilização de quem assume compromissos com a gestão do País e o conduz criminosamente até à bancarrota.
O sentimento de revolta perante o descalabro socialista exigia outras respostas. No entanto nada de relevante aconteceu.
O País continua descontrolado e a ver que cada vez mais se desagregam as suas estruturas funcionais.
O governo de passos coelho falhou e desiludiu-nos.
O País está a perder o animo para se recompor.
Os exemplos de indignidades e desrespeito pelo erário público vão-se acumulando.
Um governo que protege um bandalho como relvas perde a credibilidade.
Um governo que contrata correlegionários e amigos e lhes estabelece condições que contrariam o normativo que estabeleceu para a função pública, desacredita-se.
Um governo que tem um ministro que não gostou de ouvir um bispo desbocado chamar-lhe corrupto, terá pelo menos de aceitar o qualificativo de indigno.
Aguiar Branco tem uma avença mensal de 12.100 Euros da Metro do Porto.
Vemos assim e mais uma vez comprovada a interligação entre a classe politica, os escritórios dos advogados do sistema e as empresas que vergonhosamente lhes estabelecem pagamentos e avenças que nada mais são que roubos ao erário público. 
Não é com ministros destes que Portugal irá recuperar a dignidade.

domingo, 22 de julho de 2012

Um funeral demasiado pequeno para um homem suficientemente grande

A dimensão de José Hermano Saraiva justificava outra "despedida".
Não contam sequer as suas qualificações politicas ou como historiador.
Olhamos apenas para o homem na sua vertente de COMUNICADOR e temos em conta o numero de anos em que se fez sentir a sua presença na televisão e nos mais diversos fóruns.
O seu jeito, a sua fluência  e a sua arte, impunham-se nos ecrans.
Sentia e fazia-nos sentir o País através de factos e histórias que muitas vezes nos surpreendiam.
Isso, acabou por gerar sentimentos que certamente para a grande maioria representaram motivos de satisfação e orgulho por verem enaltecidos factos e situações que muitos desconheciam da história dos seus locais  de origem.
O sentimento de pertença a uma comunidade foi fortemente influenciado pelas várias intervenções que foi fazendo ao longo do País.
Foi triste vermos tão pouca gente a acompanhar a sua última intervenção entre nós.
 
Na história da televisão houve até hoje três "vultos" que se impuseram e atravessam os tempos.
Vitorino Nemésio, que no seu estilo lheca-lheca primeiro nos fez rir e depois obrigou-nos a escutar, João Vilaret, que muitas vezes excedeu os limites da declamação com especial destaque para a Toada de Portalegre de José Régio e José Hermano Saraiva, com o domínio total da palavra, da imagem e da expressão.
Este homem fez programas para o POVO.
Mais uma vez o povo falhou.
Pobre País que nem sabe reconhecer quem lhe aconchega a alma.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A morrer devagar

Actividade económica em queda
O desemprego a subir
O consumo a diminuir
Empresas a encerrarem
Dividas à banca a subirem
Receitas de impostos a diminuírem
Famílias endividadas
Penhoras a crescerem
Estado social em risco
Sistema de saúde mais restritivo
Sistema de justiça inexistente
Incapacidade total de decisões políticas adequadas á situação e ao País
Busca desenfreada por multas, taxas, coimas, etc
Ausência total de ideias e medidas capazes de mobilizarem a sociedade
Classe politica comodamente instalada e convencida que o País não irá acordar
Degradação total da qualidade de vida
Um País a morrer devagar.

No entanto as exportações cresceram !!!
Que alegria meu deus,
nesta estranha terra de mentira,
como se um novo PIB nos nascera
ou a Troika daqui fugira.

Tudo o que se passa é quase surreal, anedótico, insuportável.
Muitas vezes temos a sensação que de facto a maioria deste povo ainda não percebeu que tem estado a ser "governado" por gente incapaz, sem formação nem experiência para as funções que vai desempenhar e a quem lhes é concedido o direito de poderem afundar um País e comprometer a vida a milhões de pessoas sem terem de assumir qualquer responsabilidade.
Este sistema que lhes permite isto tem que ser rapidamente desmantelado.

Esperávamos outro comportamento e outra capacidade de ação do actual governo após o descalabro produzido pela escumalha socialista a mando do gfp socrates.
Enganámo-nos, ou antes, fomos enganados.
Perante o legado que receberam continuamos sem ver ninguém indiciado para julgamento. 
Não é conhecido qualquer processo crime a ser instaurado contra esta gente.
Por parte do poder judicial sabemos que isso não era expectável com pinto monteiro ou cândida almeida ainda nos lugares que estratégicamente lhes foram oferecidos pela escumalha socialista.
No entanto não vemos nem ouvimos ninguém da classe politica instalada a pugnar para a responsabilização criminal daquela gente. E hoje sabe-se e conhecem-se situações de autêntica "Lesa pátria".
José Gomes Ferreira foi claro e preciso na análise que fez à forma insidiosa como foram escalonados os contratos das PPP assinados durante os criminosos governos socialistas.
Acedam a esta reportagem e avaliem bem o que nos é transmitido;
http://videos.sapo.pt/rQlncGNtGLZQzizuMgu1

Depois de ouvir isto não lhe apetece "limpar" esta merda toda !
Temos estado a ser enxovalhados na nossa dignidade intelectual, pois certamente quem por aqui passa percebe e entende até que ponto chegaram estes execráveis agentes da politica nefasta que apenas serviu para lhes encher os bolsos,  enquanto ignoraram o resto do País.
Enquanto membros de uma sociedade dominada por gente sem escrúpulos e que não merece qualquer contemplação da nossa parte, apenas nos apetece dizer;
REVOLTEM-SE, PORRA !!!

Adenda - Algo de preocupante se vai passando na NET. O envio deste artigo para a nossa lista de contatos, foi bloqueado com a indicação de INJÚRIA !!
Já não estranhamos que o site da associação Transparência e Integridade, do Paulo Morais, tenha estado bloqueado e com aviso de perigo de destruição de conteúdos.
É tempo de acordarmos.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Estado a que chegou a Nação

Excelente artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, acerca de Portugal e que merece ser revisto.
Poderiamos sublinhar e por em letra grande, muito do que está aqui escrito.

"Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais.
Importa em primeiro lugar averiguar as causas.
Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união.
Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou.
Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.

Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.

A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário. Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país.

Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o PS (Partido Socialista) e o PSD (Partido Social Democrata), de direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado. Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem publica, diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade. À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais à esquerda, o PC (Partido comunista) menosprezado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais.

Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia pré-fabricada não encontra novos instrumentos.
Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários países.
Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda. Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres.

A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e TV oficiais, está dominada por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais-democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória.
Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia.
Só uma comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seus desígnios".

Depois de ler isto, sente que aumentou a sua determinação em combater esta escumalha que assaltou o País ?  Não se esqueça que os únicos "salvadores da pátria" teremos de ser nós.