quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Rota de Colisão

50 anos de história, os últimos, geraram um fluxo de novas tecnologias e conhecimentos que permitiram ao homem evoluir mais, que nos 10.000 anos que levamos de desenvolvimento civilizacional. Hoje, quase diariamente são apresentados novos produtos, novos materiais, novos tratamentos, novas tecnologias, em suma novos conhecimentos.
Esta rapidez no desenvolvimento tecnológico, não foi infelizmente acompanhada por uma evolução idêntica naquilo a que poderemos chamar as práticas da Organização Politica e Social dos Estados.
Poderemos mesmo dizer que assistimos já a uma regressão de conceitos e valores que não se conformam aos tempos ou necessidades que actualmente se colocam.
A politica faz-se com base em ideologias de há dois séculos atrás e há pouco mais de 50 anos o maior País do Mundo fazia a sua revolução cultural tendo como ponto de sustentação e referência um pequeno livro que se chamava e tinha cor vermelha e os pensamentos de um ditador bastante Mao. Marx, que o inspirava, já tinha escrito as suas ideias há quase 100 anos.
Digamos que a perversão dos valores e ideias politicas, entraram em rota de colisão com o interesse dos Povos quando o desenvolvimento Material e Cientifico foi proporcionando novos Produtos e Serviços.
Sem duvida que os tempos que correm se podem chamar de Modernidade.
O que não se entende é porque é que esses avanços civilizacionais foram usufruídos quase em exclusividade por uma nova classe social que ao longo destes 35 anos chamaram a si e aos seus grupos de interesses quase todas as benesses trazidas pelos tempos modernos.
E fizeram-no utilizando o que de melhor sustentava as chamadas ideologias humanistas ou de esquerda.
E utilizaram os rótulos Socialista, Comunista, Verdes, Sociais Democratas, Democratas Cristãos etc.
Em conjunto geraram o maior cancro social dos tempos modernos, que dá pelo nome de Classe Politica.
Este grupo bem organizado e sustentado naquilo a que chamam a legitimidade democrática, conseguiu no espaço de uma geração;
Delapidar os Fundos do Estado e os bens da Nação, como se fossem propriedade própria.
Criar um sistema de justiça especialmente desenhado e construído para proteger os membros deste grupo político.
Reverter a lógica de desenvolvimento civilizacional que nos obrigaria a evoluir de acordo com as necessidades futuras e as exigências postas pela massificação humana.
Esta gente produziu aquilo a que alguns apropriadamente chamam o logro inter-geracional.
Com efeito ao assumirem o estatuto dos chamados direitos adquiridos, aquilo que vai sobrar para as futuras gerações mais não é que o pagamento desses privilégios.
Se os jovens de hoje tivessem a educação e o esclarecimento que precisavam e mereciam, esta classe política já há muito que estaria desmantelada. A bem ou a mal.
Infelizmente até o sistema de ensino está desenhado para não dar "grandes ideias" aos jovens deste País, que parece que nem sentem nem sonham o futuro que os espera.
Contudo ainda temos esperança que a necessidade de colisão seja de facto um risco eminente.
Amigos jovens, não há milagres. A luta pelo vosso futuro já devia ter começado.
Esta geração de políticos vai deixar-vos um País totalmente endividado.
Demonstrem que talvez tenham andado distraídos mas não são estúpidos.
Este País precisa que rapidamente despertem.

9 comentários:

Segismundo disse...

É extraordinário,mas os seus posts condensam boa parte do meu pensamento,das minhas reflexões.
Não imaginava ser possível.
Claro que poderia dizer que são de uma lucidez fantástica,mas ficaria mal,pois sinto que estaria a elogiar-me a mim próprio.
É este espírito independente e crítico que procuro passar aos mais jovens.É mais útil que mil livros.

Mas o mais relevante é separarmos o trigo do joio.A época que vivemos é profundamente marcada pelo crime organizado ao mais alto nível.
O Estado português está refém dos gangs partidários que usam skins diferentes para esconder um mesmo organismo corrupto e ávido de poder.
Os partidos são verdadeiros sindicatos do crime.
A tecnologia de que fala e os avanços na psicologia de massas permitem um grande controlo do poder instalado sobre as populações,ocultando a realidade rapace sob um manto de normalidade artificial.
Há empresas especializadas,dedicadas ao controlo e manipulação da informação.Tudo é filtrado.

Vou indo,que é tarde.
Parabéns pela acuidade na sua visão dos problemas.

Mrzepovinho disse...

Subscrevo na totalidade a sua opinião, caro Segismundo... correndo no entanto o mesmo risco de me elogiar a mim próprio por me rever naquilo que está escrito nestes posts :D

Sempre que falo com outras pessoas, que nada vêem de mal no actual sistema e (pasme-se) só desejam que 2010 seja "pelo menos" igual a 2009!! digo-lhes sempre se acham normal continuarmos a usar um sistema político que já era usado por Gregos e Romanos, há mais de 2.500 anos...

É que qualquer cidadão comum não mantém o seu telefone por mais de 2/3 anos... por que não reformar o sistema político?

SERÁ NORMAL!?!

SERÁ QUE SÓ EU É QUE SINTO ISTO?!

Pelos vistos... não! E ainda bem que assim é!

A hora de alterar (fazer um update) ao sistema político está a chegar... deixem o Governo aumentar o IVA, como proposto pelo IMF! Vamos a ver se o zé povinho deixa que lhe vão de novo ao bolso pra pagar os excessos dessa classe assassina... huh... quer dizer... política.

a MÁFIA portuguesa disse...

Parabéns pelo post, uma vez mais.

A classe política portuguesa é hoje um sub-grupo da classe política internacional, cujo órgão máximo dá pelo nome de BILDERBERG. Mas estes Bilderberg foram durante anos preparados e seleccionados criteriosamente por muitas sociedades secretas, com diversos nomes mas um único objectivo comum: controlo. O controlo do povo mundial, dos mais pobres, o controlo das oposições às suas cegas políticas económicas capitalistas que devastaram e estão a devastar o frágil tecido humano e social actual. E qual
é o órgão máximo que manipula as decisões deste grupo Bilderberg? Apenas uma resposta correcta: a CIA. Políticos americanos (sobretudo da ala republicana), Comissão Trilateral, Ministros dos Negócios Estrangeiros, Skulls (Universidade de Yale), são algumas das origens e destinos destes senhores que manipulam todo o dinheiro do mundo, que é o mesmo que dizer que manipulam TODO o mundo. A CIA alimentou e criou a maior parte das guerras do séc. XX e XXI, gerou os maiores bluffs da história política e social, almentou a guerra fria durante anos (o que fez aumentar o negócio da venda de armamento), envolveu-se no mercado do narco-tráfico como forma de subsídio secreto das suas mega-operações e como forma de degradar determinados públcos-alvo, e nos últimos anos pretende ser uma espécie de gestor global da segurança mundial. Quanto mais anos vamos tolerar que u pequeno grupo (CIA) manipule TODO O MUNDO? As imagens que nos chegam do Haiti provam bem que os milhares de militares no terreno não estão ali para dar segurança, mas pelo negócio. E para isso apenas têm de passear os seus fatos e equipamentos de milhões, alimentarem-se diariamente e permanecerem no terreno o maior tempo possível. Assim o Governo americano e a NATO justificarão os milhões investidos nesta operação tão desnecessária. A CIA é a forma mais diplomática de fazer terrorismo. E foram eles que criaram as leis anti-terroristas através de um acto terrorista preparado meticulosamente pela CIA: o 11 de Setembro...

Força Emergente disse...

Caros amigos Segismundo, Mrzepovinho e Máfia Portuguesa.
Obrigado pelos vossos comentários.
A nossa satisfação ao lermos aquilo que escreveram é podermos comprovar que existe muita gente a pensar como nós.
Isso significa que não devemos estar enganados, pois basta um mínimo de lucidez para todos entendermos que temos estado a ser "governados" por grupos de gente desqualificada, que traiu as ideologias, enganou o País e continua a não ter ideias nem capacidade para cumprir os objectivos de uma acção política que possibilite uma sustentabilidade económica assente em pressupostos agora exigidos pela Nova Dimensão Social dos Povos. Os modelos de Desenvolvimento não podem ser os mesmos.
É por estarmos conscientes da incapacidade desta classe politica poder evoluir nesse sentido, que nos sentimos na obrigação de ter esta intervenção cívica.
Neste sentido tudo faremos para nos agregarmos áqueles que vêem e sentem as coisas tal como nós, pois pensamos que iremos ser capazes de poder vir a abalar os alicerces deste sistema politico se a prazo nos conseguirmos juntar numa plataforma de pessoas determinadas, conscientes dos valores que defendemos e mesmo de algumas soluções que propomos.

JotaB disse...

Excelente análise.
A mudança que tanto desejamos, terá que ocorrer já, para ainda podermos usufruir de uns dias de sol e para que os nossos filhos não tenham que pagar uma factura que é cada vez mais pesada.
É importante despertar as consciências para a necessidade de mudança.
Grande parte dos nossos jovens vivem alheados desses problemas. Ainda não se aperceberam que estes políticos estão a comprometer irremediavelmente o seu futuro. Não vai ser fácil demovê-los para a luta.
Terão que ser os mais velhos a avançar e a dar o exemplo.

JotaB disse...

Há muito que leio e ouço Henrique Neto, voz avisada e combativa. Militante socialista, de longa data, foi sempre muito crítico para com aqueles que dominam o partido e exploram o povo.

DEPOIS DE CASA ROUBADA

Parece que o Pais acordou
finalmente para a
realidade económica e
financeira de Portugal
e até o Governo, ainda
que a arrastar os pés, parece ter
compreendido a gravidade da situação.
Para que isso tenha acontecido
foi preciso o descalabro da economia
grega e a chegada do FMI
à Grécia, com a sua habitual receita
de medidas duras, além das ameaças
a Portugal das agências internacionais
de rating, cuja concretização
começou através dos juros
mais altos e do crédito mais difícil.
Para trás ficam muitos anos de
incúria, muitos erros estratégicos,
uma governação atrabiliária e quanto
baste de corrupção e de desperdício.
A factura está a chegar agora,
com mais sacrifícios para as
famílias portuguesas, em particular
para aquelas que nada tiveram
a ver com os desmandos cometidos,
já que os privilegiados continuarão
a ser isso mesmo, privilegiados.
E o mais revoltante é que
não teria de ser assim, se em tempo
útil tivessem sido feitas as opções
necessárias e invertido o curso dos
acontecimentos.
Infelizmente, já levamos quinze
anos de negação da realidade,
para a qual eu próprio, como alguns
outros, temos chamado a atenção
sem qualquer sucesso durante todos
estes anos Em duas moções apresentadas
a dois congressos do PS,
em 2001 e em 2003, fizemos a critica
dos erros que estavam a ser
cometidos na governação do Pais
e apontámos alternativas. Fizemos
propostas que se tivessem sido
seguidas teriam evitado o pior e
teriam iniciado uma nova estratégia
e um novo modelo económico
para Portugal. Por exemplo, na
moção Portugal Primeiro pode ler-se.
“ Ou seja, a competitividade das
empresas e da economia portuguesa
em geral, necessária para
melhorar a vida dos portugueses,
depende de uma relação de troca
mais favorável com o exterior, só
possível através de um sector produtivo
moderno e tecnologicamente
avançado, capaz de criar produtos
inovadores e valorizados nos mercados
internacionais.
(continua)

JotaB disse...

(continuação)


” Ou mais adiante: “ Por isso propomos que
a convergência real com os países
mais avançados da União Europeia
passe a ser quantificada e os governos
responsabilizados politicamente
pelos objectivos programados, na
medida em que a convergência com
a U.E. é ainda o único elemento
estratégico consensual entre todos
os governos.”
Ao arrepio destas propostas, os
governos, em vez de quantificar os
seus objectivos, optaram por mascarar
a realidade económica do
Pais, enganando os eleitores com
os seus supostos sucessos. Sucessivos
governos, em vez de escolherem
politicas de dinamização
do sector produtivo, nomeadamente
exportador, preferiram enveredar
por mais obras públicas e mais
especulação fundiária e imobiliária.
Onde na moção se deixava claro
que: “os sectores da construção
civil, obras públicas e imobiliário
cresceram mas não se modernizaram
e, pelo contrario, seguiram um
caminho de insustentável terceiro
mundismo”, os governos construíram
a partir daí a sua base de
desenvolvimento económico e de
sustentabilidade social. Como é
óbvio, o resultado só poderia ser o
que agora enfrentamos.
Onde nas duas moções se propunha:
“desenvolvimento de uma
administração pública pequena,
estável, profissional e tecnologicamente
avançada”, os governos
fomentaram uma administração
pública gigantesca, burocrática e
o actual Governo chegou ao ponto
extremo de colocar na lei a
nomeação por escolha politica dos
cargos superiores da administração,
matando à nascença qualquer
veleidade de maior eficiência e profissionalismo
nos serviços do Estado.
Onde se fazia a proposta de
“fazer da ética e pedagogia republicanas
uma componente essencial
do bom governo”, ou, mais à
frente, se propunha, “eliminar circuitos
paralelos na gestão do Estado”,
os governos de José Sócrates
bateram todos os recordes na criação
de problemas com a justiça e
com as instituições de controlo dos
governos, como é o caso do Tribunal
de Contas, nascendo por todo
o lado mais empresas municipais
e institutos de direito privado, além
das célebres parcerias publico/privadas,
cujo objectivo declarado é
fugir ao controlo dos cidadãos e
da opinião pública e adiar os compromissos
do Estado, comprometendo
com isso o regular funcionamento
da economia e fomentando
o despesismo.
(continua)

JotaB disse...

(continuação)

Em resumo, a trágica situação
da economia e das finanças públicas
portuguesas tem culpados
conhecidos. Tivemos todo o tempo
para mudar de vida, na linha
do que foi proposto nas duas
moções aqui referidas, até porque
há muito tempo se sabe que os
modelos económicos e políticos
prosseguidos pelos governos só
poderiam afundar Portugal e os
portugueses. Por ignorância, por
cupidez e por prepotência da maioria
dos dirigentes partidários e dos
governos isso não foi feito e, pelo
contrário, iludir a realidade e enganar
os eleitores, tornou-se o passatempo
politico preferido de muitos.
O resultado está à vista, os
países não fecham mas empobrecem
e endividam-se e os portugueses
vão ter de pagar a conta.
Por isso, cabe agora aos portugueses
decidir se aceitam a factura,
ou se acham que já pagaram
o bastante. _
| Crónicas sobre o futuro |
HENRIQUE NETO,
empresário

JotaB disse...

Dois casos que exemplificam bem a (in)justiça em Portugal.
Os actores da justiça não são broncos, não são incultos, mas são,indubitavelmente, uns medrosos/merdosos. São dos poucos agentes pagos pelo erário público que não podem ser despedidos (leia-se, postos no olho-da-rua) e que gozam de prorrogativas e privilégios que não lembram ao diabo. Mas não os ouço, nunca os vi, tomarem o partido do povo, em nome dos quais administram a justiça?
Quem já os ouviu insurgirem-se contra as inúmeras leis obscenas, fabricadas por políticos corruptos?!
Eu espero, SENTADO, pela tomada de posição de um, apenas UM, agente da (in)justiça.
Digam-me, acordem-me, quando isso acontecer.

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?channelID=00000093-0000-0000-0000-000000000093&contentID=45E6EB95-8F2B-45C4-BF01-5C87A5890574

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=29F5B7E4-C868-4C0B-87B4-B30B9298B309&channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181&h=11