sábado, 13 de outubro de 2012

Do que é que se está à espera ?

É verdade.
De vez em quando vai-se aflorando esta história mas nunca houve um interesse genuíno em se tirarem ilações daquilo que se passou.
A verdade é que a Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros.
Não percebemos do que é que se está à espera para se fazer aqui a mesma coisa.
Não existe outra forma de sairmos do buraco que cada vez se afunda mais.
Vejamos;
A Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita, prendeu os responsáveis pela crise financeira e mandou-os para a prisão.
Redigiram uma nova constituição e hoje, graças à mobilização geral, é um dos países mais prósperos de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida.
Foi a cidadania islandesa que se impôs.
A revolta de 2008 foi silenciada na Europa por temor a que muitos percebessem que é extremamente fácil substituir governos corruptos e incapazes de responderem aos anseios e necessidades das populações. 
Mas conseguiram graças à força de toda uma nação e o que começou por ser uma crise rapidamente se transformou numa oportunidade.
Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e a colocaram como modelo realista a seguir.
Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos actuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechou 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro.
A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. 
Alguns analistas asseveram que a economia islandesa apresenta alguns sintomas de desequilíbrio e que a incerteza ainda está presente nos mercados.
Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.
Este pequeno país do periférico árctico recusou resgatar os bancos. Deixou-os cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado os problemas financeiros.
Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou, do limite que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver.
Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever o seu próprio futuro sem ficar a mercê do que se decida  em despachos distantes da realidade local.
A revolta islandesa não causou outras vítimas para lá dos políticos e dos homens de finanças implicados no descalabro a que tinha chegado o País.
Não derramou nenhuma gota de sangue.
Não houve a tão famosa "Primavera Árabe".
Nem sequer teve, nem tem tido rastro mediático, pois exemplos destes não interessam nada ao "satus quo" vigente.
Mesmo assim conseguiram os seus objectivos de forma limpa e exemplar.

Cabe-nos a nós aplicar aqui a mesma receita.

14 comentários:

menvp disse...

Resumo (tudo pacificamente):
- Renegociação da dívida;
- Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões económicas fundamentais;
- Prisão de responsáveis pela crise;
- Reescrita da Constituição pelos cidadãos (e os partidos políticos têm de se aguentar a um muito maior controlo por parte dos cidadãos).
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-> NÃO VAI SER FÁCIL A MOBILIZAÇÃO: a revolução islandesa tem sido censurada pelos Media.

menvp disse...

Blog POLITEIA: «E a primeira alternativa que temos de pôr em prática é a erradicação da obscena verba de mais de 9 mil milhões de euros - que está inscrita no Orçamento de Estado - para pagar o serviço da dívida.»
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-> Para a RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA... dever-se-ia consultar o know-how islandês.

JotaB disse...

Islândia – um exemplo

“A negativa do povo da Islândia a pagar a dívida que as elites abastadas tinham adquirido com a Grã Bretanha e a Holanda gerou muito medo no seio da União Europeia. Prova deste temor foi o absoluto silêncio na mídia sobre o que aconteceu. Nesta pequena nação de 320.000 habitantes a voz da classe política burguesa tem sido substituída pela do povo indignado perante tanto abuso de poder e roubo do dinheiro da classe trabalhadora. O mais admirável é que esta guinada na política sócio-económica islandesa aconteceu de um jeito pacífico e irrevogável. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu tantos outros países maiores até a crise atual.
Este processo de democratização da vida política que já dura dois anos é um claro exemplo de como é possível que o povo não pague a crise gerada pelos ricos.”

Ouvir em: http://www.youtube.com/watch?v=lNt7zc6ouco

JotaB disse...

Pots, Pans and Other Solutions

Na Islândia, o primeiro país europeu a despertar para a crise, as pessoas perceberam que poderiam e deveriam intervir na sociedade e começaram a exigir a sua participação na democracia.
O pagamento das dívidas dos cidadãos aos bancos foi a referendo.
Criaram um Conselho para escrever uma nova Constituição (um grupo de cidadãos - sem políticos, advogados ou professores universitários) que abriu o processo de discussão a todos e conseguiu aprovar por consenso, uma proposta de projecto.
Na Islândia, muitos cidadãos estão agora organizados em associações onde apresentam propostas para uma sociedade onde todos podem participar.

Vamos conhecer os islandeses de que a comunicação social se recusa a falar:

http://www.youtube.com/watch?v=JGwMIlpgR2A&feature=player_embedded

Diogo disse...

Uma coisa são 300.000 pessoas com elevado grau de literacia e utilização da Internet.

Outra, são 10 milhões dos quais 2/3 serão funcionalmente analfabetos.

menvp disse...

«Outra, são 10 milhões dos quais 2/3 serão funcionalmente analfabetos.»
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-> Deve-se icentivar atitudes de participação cívica... que não sejam... gritar com megafones, derrubar barreiras policiais, amandar pedras à polícia, etc.

José Carlos disse...

Portugal (e contra mim falando,pois sou português), é um país de "chicos-espertos", e como tal, julgo que dificilmente tal acção seria possível. Temos um problema, que é maior que o económico - é o problema "das mentalidades", e o do "eu sou mais fino que o meu vizinho...". Desta forma, enquanto tal se mantiver, será mesmo muito dificil, frustrante, e uma verdadeira aventura, conseguir ter uma vida equilibrada, com uma boa estabilidade económico-politico-social...
É necessária a "verdadeira educação" (aquela que supostamente se deveria ter - vinda do berço - com "aqueles" valores e principios...) para desta forma se possa saber estar, respeitar, e viver em sociedade... ...
Parabéns aos Islandeses!!!

menvp disse...

«Parabéns aos Islandeses!!!»
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-> Podemos pedir ajuda ao know-how islândes... todavia, no entanto... NUNCA devemos desistir de lutar pela sobrevivência da nossa Identidade!

JotaB disse...

«Portugal vai ter mais de três milhões de pobres

Austeridade está a levar à "democratização da pobreza".
...
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza afirma que o Orçamento do Estado vai deixar Portugal com "mais de três milhões de pobres. É 30% da população, mas há quem defenda que será mais que isso.
Ninguém arrisca dizer qual o número de pobres que Portugal terá em 2013 porque a Intervenção Social, "será maior do que os indicadores medem". Mais de três milhões? "É possível".
...
A novidade desta crise, "é a quantidade de pessoas que estão em processo de empobrecimento, apesar de terem qualificações, habitação própria ou outros níveis de conforto. O pobre já não é o grupo social que gozava de má imagem e a quem todos os pecados eram atribuídos".»
http://www.dn.pt/

***

Não podemos permitir que que isto aconteça:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=R_BWnhGK1wc

Porque isto não é um país, é um esgoto!

JotaB disse...

«Islândia: desemprego baixa de 12% para 5%
País é exemplo de recuperação, segundo o próprio FMI

Em apenas dois anos, a taxa de desemprego na Islândia baixou de 12% para 5%. Depois da crise por que passou, o país é um exemplo surpreendente de recuperação, na ótica do próprio FMI.

Segundo os dados divulgados esta sexta-feira pelo gabinete de estatísticas do país, a população ativa da Islândia ascende a 180.700 pessoas: destas, 171.700 têm trabalho, 9.000 estão desempregadas.

A Islândia está até em melhor consideração para a Standard & Poor`s do que Espanha e, claro, Portugal. O rating português está em BB-, o segundo nível na categoria «lixo» e o de Espanha no nível BBB-, a um passo desse grau já considerado especulativo. Ora a nota da Islândia também é de BBB-, mas, ao contrário de Espanha, tem uma perspetiva favorável. Já Madrid arrisca um novo corte.

A agência de notação financeira associa o rating da Islândia a uma economia «próspera e flexível» e sublinha ainda a «capacidade institucional» do país em enfrentar os problemas do setor financeiro e gerar um ambiente mais favorável à criação de emprego e a um crescimento económico sustentável.

«O rápido ajustamento a seguir à crise, tanto orçamental como da balança externa, permitiu à Islândia completar o programa do FMI e recuperar o acesso aos mercados», releva ainda a S&P.

Um exemplo, de pequena escala, que pode muito bem ser uma lição para os países em crise, como Portugal.»

Ler e ouvir:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/islandia-desemprego-crise-trabalho-ultimas-noticias/1385004-1730.html

Anónimo disse...

Meus caros, uma simples explicação:

A Islândia nao tem exército que fizesse frente ao povo, já de si reduzido, e por isso, muito mais facilmente organizável.
Claro que na Argentina eram 40 milhões, com exército...mas sobre essa, não estou muito bem informado...

Laura Martins disse...

Desde Abril deste ano que tenho dois artigos no meu blog ttp://apoliticadospoliticos.blogs.sapo.pt sobre a Islândia.
Mas é preciso não esquecer que a
Islândia não aderiu ao euro e essa foi a sua grande vantagem sobre Portugal. Aqui os burros mansos deixaram-se levar pela globalização e agora aguentem-se.
Quando existe a moeda do país, pode ser desvalorizada e o país aguenta-se bem. Portugal fez isso algumas vezes.
Após a vantagem da moeda não desvalorizada, junta-se uma outra: a Islândia tem muita gente séria que não tolerou aos banqueiros e políticos corruptos as falcatruas e prendeu-os.
Juntemos-lhe mais ainda: uma certa dose de gente inteligente e não uma data de burros como os portugueses que foram buscar uma inteligência super lá nos confins do mundo e agora temos estes orçamentos e ideias que só podem provir duma mente perversa coadjuvado por um primeiro ministro absolutamente comprado pela Merkel.
Juntemos ainda um país de gente mansa que se deixa empobrecer, roubar e escarnecer e não prevê uma revolta para derrubar estes canalhas.
Juntemos, por fim, um presidente incapaz, uma múmia paralítica que só bebe chá de chinelos calçados e está ali unicamente para prevenir o seu futuro que já está assegurado com uma boa reforma.

P.V .(B,N,A) disse...

Meus caros, passei por aqui por acaso...
Deixo uma ideia que devia ser implementada para mudar o estado de coisas.
Criação do Partido do voto branco, nulo, abstencionistas: PV (B,N,A)
A pergunta, é, serve para quê?
Para fazer a revolução pacífica e em que todos se revêm.
A ideia é jogar com as próprias leis que esta seita de políticos corruptos criou.
O PV (B,N,A) só tem uma missão. Eleger deputados que depois de proporem a redução de número de deputados, se demitam em bloco.
Não há programa, não há tachos, não há carreira política, nem sequer vencimentos.
O dinheiro angariado por número de votos é doado integralmente a instituições de reconhecido apoio social.
Quando a soma dos anteriores não votantes+brancos+nulos for superior ao número de votantes, o parlamento é dissolvido e tem de ser criada uma nova constituição.
Não metendo política partidária, ou outras reivindicações na "coisa", não é difícil que as pessoas que hoje não votam por não vislumbrarem saída, passarem a votar como protesto, e o seu voto contar.

Laura Martins disse...

Em resposta ao PV (B.N.A.) se for viável, eu aplaudo!
Mas eu aplaudo tudo que seja correr daqui com esta malandragem política. Não só os que dizem governar como os deputados que para nada servem e só são eleitos por partidos políticos e não pelo povo.
Todos eles o que querem e tacho e nada mais! e o tacho deve ser bom porque fazem de tudo para se meterem na política.
Que corja!!!!!! Estou farta!!!!!!!