terça-feira, 13 de abril de 2010

Viver da Política, de "Facto" e Gravata

Já alguém imaginou a vergonha nacional e internacional se José Sócrates fosse preso e filmado em directo para as televisões? Seria a primeira vez na história recente que um Primeiro-ministro era envergonhado a este ponto. Por isso o Procurador-geral da República teve de mandar destruir as gravações. Mas a mensagem ficou: Sócrates é culpado, mas nós limpamos a porcaria que os altos cargos políticos fazem..."é para isso aliás, que somos pagos"...

Algumas histórias vamos recolhendo deste baralho de cartas dos políticos portugueses, que tantas vezes dizem que a vida política é uma causa de "serviço" à República e aos Portugueses. Vejamos neste link o verdadeiro sentido de "serviço" e sacrifício que estes nobres cavaleiros dedicam à nossa amada pátria: http://f-emergente.blogspot.com/2010_04_01_archive.html#78551732515380756 .

5 comentários:

Manda disse...

Caros amigos

Há já algum tempo que não passava por aqui.
Quero felicitá-los, pois sinto que existe alguma dinâmica que é coisa que não se vê na maior parte dos blogues.
O advogado José Martins entrou para esta associação? É um gajo de grande fibra.
Força neles.

JotaB disse...

Apenas os “pilha-galinhas” são, esporadicamente, “incomodados” pela justiça.
Os verdadeiros CRIMINOSOS, aqueles que nos roubam descaradamente e às claras, nunca são importunados pelos senhores que deveriam ministrar a JUSTIÇA em nosso nome, em nome do POVO.
Eu não ficaria minimamente envergonhado se visse, em imagens televisivas, o ainda 1º ministro ser conduzido ao tribunal, condenado e levado para trás das grades.
Antes pelo contrário.
Ficaria feliz, pois passava a acreditar na justiça e nos tribunais e começaria a acreditar que seríamos todos iguais perante a lei e que seria possível um país mais justo e mais próspero.
Como nada disto se verifica, como os LADRÕES não são punidos, aí sim, sinto vergonha, MUITA VERGONHA!

JotaB disse...

Estas palavras foram proferidas, em Praga, cara a cara, ao Aníbal de Boliqueime:

O Presidente checo, Vaclav Klaus, considerou “inimaginável que possa haver défices como os registados em alguns países da União Europeia”.
“Eu, como ministro das Finanças e como primeiro-ministro (Klaus, tal como Cavaco, já foi ministro das Finanças e primeiro-ministro) não admitiria tal défice. Se alguém admitiu, tem agora de enfrentar as consequências”.

JotaB disse...

Artigo de HENRIQUE NETO, publicado no Jornal de Leiria de hoje:

Crónicas sobre o futuro
Os Desafios Europeus

Na semana passada
escrevi que o enfraquecimento
de apenas
dois sectores da
economia europeia -
automóvel e equipamentos industriais
- colocará em risco o conjunto
da economia da Europa. Trata--
se de dois sectores de grande dimensão
que empregam, directa e indirectamente,
alguns milhões de pessoas,
sectores que não terão facilmente
substituto com a dimensão
necessária. No caso do automóvel,
esse enfraquecimento acontecerá,
numa primeira fase, através da importação
de componentes chineses e
indianos para incorporar nos carros
europeus, seguindo-se uma segunda
fase de importação de carros completos,
tão cedo a China e a Índia
possuam a tecnologia suficiente para
ultrapassar as barreiras constituídas
pelas regras europeias de qualidade
e ambientais. A aquisição da Jaguar
pela indiana Tata e da Volvo pelos
chineses foi um passo de gigante
nessa direcção.
No sector dos equipamentos industriais,
o processo será o da cópia
pura e simples dos equipamentos
que a Europa e o Japão estão presentemente
a exportar para a China.
A seu tempo, a Europa perderá
esse mercado e começará a
sofrer a concorrência chinesa em
países terceiros. Com a nota de
que diferentemente do que aconteceu
noutros sectores industriais
– brinquedos, electrodomésticos,
electrónica de consumo, etc. – em
que os norte-americanos mantiveram
a comercialização e uma
parte do desenvolvimento, a Europa
perderá também o mercado
internacional para os fabricantes
chineses. Dentro de alguns anos,
verificar-se-á o aparecimento de
um novo modelo de lojas chinesas,
não já para vender baldes de
plástico e outras bugigangas, mas
para distribuir automóveis e vender
equipamentos de toda a espécie,
desde ar condicionado a máquinas,
ferramentas e a geradores de
energia.
(Continua)...

JotaB disse...

Até lá duas coisas podem entretanto
acontecer, ambas improváveis:
(1) a implosão do actual sistema
politico na China e o nascimento
de um regime democrático;
(2) o aparecimento de novos
produtos, tecnologias e serviços
com origem na Europa, que compensem
na economia e na criação
de empregos as perdas acima
referidas. Verdade seja que não
acredito em nenhum dos dois cenários,
mas não os podemos eliminar
completamente. Em qualquer
caso, os Estados Unidos estão em
muito melhor posição do que a
Europa para beneficiar de uma ou
de ambas as hipóteses.
Repito que todos os problemas
europeus passam por aqui. A que
poderemos acrescentar o modelo
politico da União Europeia, o qual
conduz à negociação permanente
entre os Estados membros e a
um certo imobilismo de origem
burocrática. O que até poderia não
ser um mal em si mesmo, não fora
a má qualidade dos actuais líderes
dos países europeus, cuja competência
reside principalmente na
boa utilização que fazem dos meios
de comunicação, mas sem ideias
dignas de nota sobre os verdadeiros
problemas europeus. Estão mais
vocacionados para iludir os desafios
que a Europa enfrenta, do que
para os vencer com a energia e a
dimensão necessárias. A tão falada
necessidade da Europa falar a
uma só voz, ou a tão discutida
mediocridade dos dirigentes escolhidos
para dirigir a União Europeia
- Comissão, Conselho e Negócios
Externos – são o resultado
dos chefes de governo europeus
não quererem escolher ninguém
que possa colocar em causa a sua
própria mediocridade, ou fazer-lhes
sombra. Por isso, a União
Europeia é hoje uma coligação de
sinal negativo, que vive à sombra
da dimensão heróica do ideal europeu,
que tem a seu crédito a superação
das feridas resultantes da II
Grande Guerra.
Os problemas europeus que
resumi, em conjunto com os impactos
negativos provocados pela
demografia, colocam em grande
risco o modelo social europeu, timbre
do avanço civilizacional da
Europa. Para reduzir esse risco,
será essencial não se deixar instalar
um movimento lento de decadência
europeia, fazendo-se rapidamente
uma reavaliação das alternativas
em presença, sem o tabu
das ideologias dominantes e procurando
afastar a tentação proteccionista.
É esse exercício que
tentarei fazer na próxima semana,
elencando algumas medidas
que não sendo a solução final,
poderão, se bem usadas, conduzir
a Europa numa direcção menos
arriscada.


HENRIQUE NETO
empresário
netohenrique8@gmail.com