terça-feira, 25 de maio de 2010

Em passo acelerado

Até ao estertor final.
As noticias são estas;
Portugal está colocado no sexto lugar a nível mundial dos Países com maior risco de incumprimento. Isto é, já só existem 5 países com menos crédito que nós.
Consta que no largo do Rato, a noticia foi recebida assim;
Portugal, conseguiu sair dos últimos lugares no que se refere á capacidade de pagamento externo. As medidas tomadas por este governo já colocaram o nosso País no sexto lugar.
Só aqui é possível assistir a este deslumbramento comunicacional que permite ocultar a verdade por cima da mentira. Está confuso não é ?
Mas é mesmo assim.
Para lá das leituras focadas nos já tantas vezes mencionados especuladores e depois de tanta asneira já feita, parece-nos mesmo que estamos a ser beneficiados nesta classificação.
No entanto já merecíamos estar no primeiro lugar, pois conseguimos no curto espaço de 10 meses, esgotar a "almofada financeira" resultante da catrastófica politica fiscal seguida nos anos anteriores. E não nos esqueçamos que esta nos era apresentada como a ferramenta necessária para enfrentar a crise e conduzir o País a um estado de maior desenvolvimento.
Acresce ainda que até fomos informados pelo primeiro ministro que tinhamos conseguido atingir a maior taxa de crescimento a nível Europeu.
Tudo isto, só podiam ser as oscilações delirantes de um louco.
Mais uma vez, o mentecapto abria a boca e esboçava o sentimento que de novo nos tinha enganado e convencido.
Por detrás do sorriso trocista, ainda balbuciou para o rafeiro silva que normalmente o acompanha; Vais ver como esta massa bruta e empedernida me vai agradecer por ter conduzido o País a este estado.
Como habitualmente, Silva abanou a cabeça três vezes.

Vamos esclarecer melhor.
O estado do País não precisava de uma almofada mas sim de um esquife. Com efeito, tinham conseguido destruir o tecido empresarial de base, o desemprego era já galopante e para todos era evidente que grassava a incompetência nos Órgãos de soberania.
Porque não dizer, a irresponsabilidade. A safadeza. O saque.
Com efeito, no final de 2009 estavam seriamente comprometidas quaisquer possibilidades de mais agravamentos nas medidas fiscais.
No entanto insistiram de novo com as medidas do PEC 1, acrescidas rapidamente com um PEC 2.
A justificação era mais uma vez a necessidade de sossegar investidores e analistas internacionais. Tínhamos que demonstrar-lhes que Portugal não é a Grécia. Dizíam mesmo que o nosso problema é muito diferente !!??, segundo os nossos esclarecidos políticos e alguns comentadores. Até nos vieram dizer que a própria U.E. reconheceu estas medidas como de grande mérito e arrojo.
Até Passos Coelho se juntou a sócrates. É verdade que disse depois só ter dado a mão ao País, mas foi pena não ter reparado onde a tinha posto, pois apenas continuava a apertar-nos ainda mais o pescoço.
É que já estamos nus e apenas a gravata nos compõe a figura.

Esquisito mesmo é não conseguirmos perceber agora, porque razão é que nos atribuem este 6º Lugar ?
Isto significa, pura e simplesmente, que todos os restantes países são mais credíveis que nós !!!
E são 136 não é ?
Se ainda há pouco estávamos na cauda da Europa, conseguimos agora acelerar o passo para chegar mais rapidamente ao fim do Mundo.
É obra !

Temos de encarar a realidade a que chegámos e os políticos que temos.
Não é possível a um País com a estrutura sócio-económica do nosso, conseguir aumentar o esforço de desenvolvimento sem se adoptarem novos modelos e métodos de governação, suportados por agentes políticos inovadores na forma e na abordagem á necessidade de resolução global que se exige. Este País não pode continuar sem um objectivo nacional que mobilize e seja sentido por todos.
O que é preciso é uma nova classe política de gente séria e com capacidade de entender as necessidades básicas de uma população à tanto tempo remetida e condicionada a nível social e educativo.
Somos um povo de gente deseducada, maioritariamente subvertida a ideias e conceitos de vida inculcados sistemática e metodicamente com objectivos específicos e por gente de mau porte, que acabam por limitar em grande parte a nossa capacidade de percepção das novas realidades deste mundo contemporâneo.
Esta estrutura vivencial há tantos séculos imposta e que reflecte a matriz da nossa evolução, tem de ser radicalmente reformulada, mesmo que se tenham de questionar ideias ou sentimentos de há muito prematuramente assumidos.
A liberdade de escolha é consequência da capacidade de discernir.
O Discernimento é a grande batalha que será necessário vencer.
Um povo que se deixa subalternizar de forma tão dramática como aquela em que nos encontramos, será sempre presa fácil para oportunistas ocasionais e aldrabões por natureza.
É necessária uma Nova Identidade e um Grande Objectivo serem apresentados ao Povo Português.
É necessário sacudir o pó deixado por 35 anos de desleixos, desvarios e gente de mau porte.
Estamos convictos que com as pessoas certas, as politicas necessárias e as decisões adequadas, poderemos de novo sentir orgulho naquilo que somos e em breve virmos a retomar o caminho junto dos países mais desenvolvidos e sérios.
O nosso destino ainda não está traçado.
Estes políticos que se cuidem.

posto por Carlos Luis

8 comentários:

miguel disse...

Eu apenas acho que os portugueses,sobretudo os mais lúcidos e descontentes com a decadência do país,são extremamente generosos.
Eu confesso que não tenho essa virtude em tão elevado grau.
Como sabem,alguns milhares de governantes e ex-governantes,autarcas e ex-autarcas,empresários ligados aos anteriores,etc,detêm,no conjunto,uma fortuna incalculável em offshores,bancos suíços,etc.
Estas fortunas são substancialmente maiores,siderais mesmo,se somarmos os impérios imobiliários e outras participações em empresas localizadas em países estrangeiros.
Pois bem,os meus amigos,apesar de perceberem fácilmente a origem desta riqueza súbita,dispõem-se a pagar os prejuízos de tais fraudes.
Até se dão ao luxo de discutir teoria económica,reformas de modelos económicos,etc.
Estou certo que ganharão um lugar no céu,ao perdoarem aos facínoras crimes de tal monta.
E todo o pais foi abençoado por essa generosidade divina.
Mesmo sabendo que a restituição do saque pagaria as dívidas do Estado português,ninguém a reclama.
Abençoados!

Quando passo por alguns destes autarcas que conheço pessoalmente,que tanto trabalharam para ao fim de quatro ou oito longos anos serem proprietários de altos rendimentos,de carros de luxo,quintas,apartamentos,terrenos e quotas em empresas de indústria e imobiliário,dou comigo a pensar que me espera o internamento psiquiátrico,pois mais ninguém vê o que eu vejo.

Muitos cumprimentos a todos e espero que metam uma cunha por mim,já que não devo almejar mais que o purgatório.

Força Emergente disse...

Caro Miguel
Obrigado pelo seu comentário.
O estranho é sentirmos que de facto poucos veem o que nós vemos e sentimos.
O seu sentimento é também o nosso.
O descalabro a que chegámos terá de ter um fim.
E não pode demorar muito.
Ou pelo menos não devia.
Com os nossos cumprimentos.

JotaB disse...

Somos um país pobre, com gente muito pobre.
Somos um país desigual, que os muitos milhões da União Europeia tornaram ainda mais desigual, pois foram parar aos bolsos de um grupo muito restrito de "sortudos" (políticos, empreiteiros, banqueiros, especuladores e poucos mais).
Mas à pobreza material juntamos a “pobreza de espírito”.
Para se ser feliz em Portugal, ou se é “pobre de espírito” ou se pertence ao grupo dos “sortudos”.

JotaB disse...

Também não me preocupei

Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso,
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados,
Mas como tenho meu emprego,
Também não me preocupei.

Agora estão me levando,
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht

Força Emergente disse...

Caro amigo João

Excelente apontamento do Brecht que tão bem se aplica a este povo.

Lusitano disse...

Caros Amigos,
Portugal está em desintegração acelerada, por isso, já nada me admirar.
O caso da PT, é o exemplo vivo do desfazer desta pobre Nação, tal como tem vindo consecutivamente a acontecer desde há umas dezenas de anos, em nome do liberalismo, vende-se tudo, desde a honra, até o cu, se isso der dinheiro.
Um pouco de "estória" da PT: A PT surge como conglomerado da várias empresas, TLP, RÁDIO MARCONI, CTT (parte das comunicações telefónicas) e ainda da rede de emissores pertencentes à RTP e à antiga Emissora Nacional, deste modo, com toda a rede de comunicações por fio ou por TSF nas mãos, sectores altamente estratégicos até para o desenvolvimento do país, esta empresa (tal como a EDP, a GALP, as águas, os transportes, principalmente os ferroviários) ao invés de servir como motor de desenvolvimento nacional, serviu com as sucessivas privatizações do seu capital, como forma de ficarmos dependentes das "boas vontades" dos seus accionistas, em boa parte estrangeiros, que não se ralam com a empresa nem com o país, vendem a quem lhes der mais.
Ora não nos esqueçamos do esforço do antigo regime para ter uma rede nacional de comunicações nas suas mãos, assim, nos anos 60, (67 ou 68, salvo erro), a APT (Anglo-Portuguese Telephone Company) empresa que exploraca os telefones de Lisboa e do Porto, foi adquirida pelo Estado português (o que igualmente aconteceu com a Carris, também inglesa), passando a designar-se por TLP (Telefones de Lisboa e Porto) continuando a explora as redes de Lisboa e do Porto, sendo o restante espaço nacional explorado pelos CTT, ora, isto visava acima de tudo evitar interferências de estrangeiros em meios vitais para o país, quer em termos económicos, quer em termos estratégicos,
Com a Abrilada e com o consequente início do desfazer da Nação, primeiro vieram as privatizações, até de pequenos comércios de rua, e depois, com o consulado de Cavaco Silva foi o movimento inverso, foi a entrega de tudo a quem quissesse pagar, independentemente da sua nacionalidade ou fins, daí, termos chegado a este imbróglio, um dia destes, temos a Telefónica, muito mais poderosa que aPT, a controlar os telefones e as comunicações deste povo de tugas estúpidos, tudo, por acção de governos anti-patriotas, que puseram os interessee das corporações que representam acima dos interesses da Nação, por outro lado, os homens que deveriam ser o garante da Independência e Soberania de Portugal, referiro-me aos militares evidentemente, estão-se definitivamente nas tintas para o quintal, dêem-lhes umas comissõezitas aos vários Kosovos deste Mundo para irem ganhando uns tostões e ficam contentes, não que eu esperasse ou desejasse uma nova revolução, um novo "25 de Abril", para trampa bastou esse, mas, que tivessem alguma influência sobre os politicos, "lembrando-lhes", se fosse caso disso, que não podem governar e dispôr do país como se de quinta particular se tratasse, e, que o destruir uma Nação é crime de alta traição (o que é isso???).
(continua)

Lusitano disse...

(conclusão)
Mas qual quê, controlados por chefes militares, que, ao que parece, agora são escolhidos directamente pelos políticos, ficam-se quietinhos lá pelos cantos (até os quartéis lhes tem vendido, qualquer dia tem de montar a barraca nos jardins públicos), e não me admiro que um dia destes, quando em breve, Portugal for definitivamente varrido do mapa como Nação independente, sejam todos licenciados (as empresas privadas de segurança, estão sempre à procura de novos vigilantes, aproveitem), ou lhes ponham à frente chefes espanhóis ou doutras nacionalidades, pois, quem não se sabe governar tem de ser governado!!!
E é assim, que de entrega em entrega, vamos passando dum povo que contou com gente heróica que escreveu uma História gloriosa, quase única em todo o Mundo, a um quintal habitado por um rebanho de bovinos, sem qualquer identidade, constituido cada vez mais por gente que nada tem a ver com este país, com o qual não se identifica, a quem a nossa História nada diz, nem a cultura, nem as tradições, nem sequer a língua (agora, "vendida" ao que parece, àqueles que tem mais influência no Mundo de hoje), enfim, isto cada vez mais se parece com uma acampamento de gente amorfa, altamente estupidificada pela lavagem cerebral a que é submetida diariamente, quer pela propaganda governativa, quer partidária, quer pelos ditos meios de comunicação social, principalmente a televisão, que não passam duma maneira geral, de meios de intoxicação manipulando os patetas dos tugas conforme os seus desejos e interesses.
Assim, com um povo altamente enbrutecido, sem amor-próprio, sem auto-estima, sem orgulho, até podem vender os Jerónimos ou o Castelo de S. Jorge a mãe, o pai ou as irmãs, que da parte desta gente nunca se vai ouvir nem sequer um balido, é a carneirada no seu melhor.
Por outro lado, os nossos "empresários", que na sua gradessíssima maioria, não passam de patos-bravos que a única coisa que defendem é a sua conta bancária, estão a cagar para Portugal e para os portugueses, senão, se tivessem um mínimo de patriotismo e de tomates, diga-se de passagem, não tinham permitido que este país fosse desmembrado e entregue aos estrangeiros, tal qual, vaca no matadouro.
Que ninguém se esqueça, que quem comanda a Economia dum país, comanda a sua Soberania.
Em resumo, quem não se sabe respeitar nem dar ao respeito, toda a gente lhe caga em cima.
E assim acabou uma Nação.
Paz à sua alma.
Não se esqueçam de mandar rezar a missa de finados, do 7º dia, do 30º e por aí fora, mas não se alarguem nas esmolas que o dinheiro está caro.
Divirtam-se!!!

LUSITANO

J. M. Macedo de Barros disse...

Digo aos políticos, o que disse a Inês de Medeiros!
Cara Inês de Medeiros; depois de lida a sua publicação ("Nem realpolitik, nem irrealpolitik, mas politik.pf."), no seu blog "Jugular", constatei que fez um exercício de defesa do estatuto partidário do parlamentarismo e dos próprios políticos representantes e militantes, contra um certo Poder económico perverso e subversivo, que instrumentaliza opiniões e coloca-as na comunicação social! Deixa a preocupação de que os movimentos (cívicos?) frenéticos e ideologicamente confusos têm pouca experiência política e que as extremas do espectro partidário são indesejáveis. Indicia sinais de fim de sistema, de que a crise, não meramente económica, é seu corolário! Por fim, quer ver a luz da social democracia verdadeira! Pois bem; a desconfiança ideológica é que é o problema. A ideologia subjacente a cada Partido não se cumpre, apesar do real valor das propostas, encerradas em cada programa partidário. Governo após governo, os cidadãos, que agora se movimentam, para substituir políticos e políticas, organizando-se em movimentos, já adquiriram grande experiência política, na condição de espectadores, que é muito mais virtuosa e reflexiva! Que dizer das promessas não cumpridas, das mentiras, das aldrabices, das negociatas, da corrupção e das traições cometidas pelos gestores políticos? Parece que o Poder político tem a responsabilidade exclusiva no compadrio com o tal Poder económico egoísta, e que visa controlar as vontades, submetendo toda a sociedade à ganância dos mais espertos, onde os senhores políticos se encaixam, na qualidade de subornados, ou instigadores, ou cúmplices passivos!
Os Partidos governantes são responsáveis pela afirmação de radicalismos e pelo crescimento de alternativas. Portanto, você e os Partidos, que quer defender, queixam-se de si mesmos! Face a esta realidade, ressalta aos olhos do eleitorado a manifesta falta de bom carácter dos seus representantes políticos mais activos e determinantes, na condução dos destinos do País! Portanto, esta crise, não de fim de sistema, mas de pensamento e conduta política, ou seja de carácter das novas burguesias, é que dita o fim do regime actual, apelando para o fim de um ciclo político. Esse fim, porque os fazedores de revoluções estão também comprometidos pelos altos salários que os senhores políticos lhes oferecem, já que aprenderam as causas do último movimento militar revolucionário, será ditado pelo movimento popular. Se os que pagamos para nos defenderem, nos traem, temos de fazer-nos representar no parlamentarismo da República, na proporção dos votos brancos e abstenções, para que a nossa desconfiança nos parlamentares partidários seja transformada em confiança nas organizações cívicas de cidadãos! A revolução tem de ser de mentalidade e de carácter, ao nível da concepção da democracia participativa, para que as decisões sejam ratificadas pelo povo, numa base mais alargada e fidedigna do interesse colectivo. Assim, será mais difícil ao Poder económico corromper o universo dos cidadãos, a não ser que queira salvaguardar o interesse de todos, e então veremos, de facto, a social democracia. Porque os actuais Partidos da alternância governativa meteram a sua ideologia na gaveta e preferem atender, apenas, às pressões dos mais fortes, sempre eminentemente económicas! A falta de um projecto social, enquadrado na missão do Estado, desvirtuam o próprio Estado, comprometendo a sua viabilidade e afirmando apenas o avanço do poder privado, entregue aos jogadores bolsistas, que só visam lucro, e exploração desenfreada das nossas necessidades básicas, como saúde e protecção, que nos colocam sempre preocupados quanto à nossa sobrevivência, num clima de injustiça, fraca remuneração e humilhação pelos mais ricos! Ver mais em democraciaemportugal