domingo, 30 de maio de 2010

Estado do sítio

Lá por fora, uns, entre outras coisas, continuam os esforços para garantirem o futuro.
Sá Couto e grupo Lena agradecem a dedicação do "accionista".
Vamos ver se desta vez, Chavez não vai falhar.
Cá por dentro, voltámos a ter um afloramento contestativo em versão "soft".
Pensamos que era exigível um pouco mais de "força" daquelas quase 300 mil pessoas.
Não vimos frases agressivas, atitudes provocatórias, gritos de inconformidade, nem sequer um gesto hostil na proximidade da casa do visado.
Nem sentimos a garra ou a raiva que já são por demais justificadas.
O peso da multidão contrastou com a passividade da mesma.
Confirmou-se. Continuamos num estado de sonolência incapaz de incomodar, quem por outro lado continua bem desperto a tratar da sua "vidinha".
Enquanto uns dormem outros absorvem.

Entretanto continuamos a ler e ouvir opiniões.
Devo dizer que não gostei da intervenção de Hernâni Lopes no programa Plano Inclinado. Sabemos que a problemática da macro economia não é susceptível de debate num programa televisivo de 50 minutos. Assim sendo as frases ou as posturas assumidas originam interpretações que por vezes nem correspondem aquilo que os intervenientes gostariam que fosse entendido. Mas é.
Não se pode pretender agora, que alguns aspectos do modelo seguido há quase 20 anos, sejam possíveis de serem replicados, para se tentar resolver a situação do País no momento actual.
Fiquei com a ideia que Hernâni Lopes acha essencial um acordo PS / PSD e que isso será a chave para a resolução do problema. Mas ..... olhe que não! olhe que não.
Henrique Medina Carreira, complementou ou invocou algumas situações que sempre terão de ser tidas em conta para a possibilidade de o País inverter esta marcha suicida em que se encontra. E aí, nós estamos de acordo.

Vamos ver se conseguimos ser explícitos e objectivos:
1º O País nunca conseguirá encontrar a solução adequada, enquanto persistir a actual classe politica e o Sistema que a sustenta. Não adiantam acordos ou coligações. O sistema apodreceu e precisa de ser desmantelado.
2º Ninguém de bom senso pode concordar que na situação actual as medidas que levam ao agravamento de impostos e restrições a "granel", conduzam ao aumento da nossa credibilidade externa ou a uma redução significativa das nossas responsabilidades de pagamento.
Estas medidas de curto prazo e curta visão, irão mesmo dificultar o crescimento do tecido económico de base.
3º O País nunca conseguirá atingir níveis de desenvolvimento adequados, enquanto se mantiverem as actuais estruturas judiciais.
4º Ou enquanto o sistema democrático que invocamos mas que não temos, continuar a estar baseado em leis, especial e ardilosamente preparadas para perpetuarem no poder as actuais estruturas politicas dominantes. Com isto fomentou-se e permite-se a corrupção, o compadrio e a isenção de responsabilidades politicas ou judiciais.
Assim sendo, não há solução para o País.

O direito básico que terá de assistir ao Povo é o de poder ELEGER ou DEMITIR quem exerce funções politicas.
Enquanto isto não for possível, não teremos Democracia nem País.
Estaremos condenados a ver os primeiro ministros a preocuparem-se mais com interesses privados e particulares do que com a governação cuidada do património do Estado.
É lhes permitido governar mal, utilizar o património do Estado em beneficio próprio, fazerem as leis que lhes garantem impunidade, escolherem e nomearem quem lhes interessa para os lugares que lhes convêm. Isto é, fazerem o que querem sem que tenhamos possibilidade de lhes exigir responsabilidades.
Acha isto admissível ?
Gostaria de se revoltar já, ou prefere ainda esperar mais um pouco para ver o que é que Passos Coelho irá fazer ?

posto por Carlos Luis

9 comentários:

Lusitano disse...

Caro
Carlos Luís.
Tudo isso é muito certo, mas falta o principal, que tipo de gente constitui hoje o "Povo Português"???
Qual o "espírito de grupo" que anima esse povo, existe sequer???
Pois é, é por aqui que se tem de começar, isto, se se quer chegar a algum lado, nenhum general consegue vencer uma batalha se não tiver as tropas unidas pelo tal "espírito de corpo", pode ter o melhor armamento, pode até ter um maior número de homens, mas faltando esse "espírito", chapéu, é a derrota certa.
Assim acontece actualmente com este povo, que não está adormecido, está é brutificado e insensibilizado, aproveitando o estado de "domesticação relativa" inculcada pelo do antigo regime, os novos donos do poleiro, inculcaram outros princípios igualmente castradores e muito mais eficazes, assim, tudo o que foi feito pelo antigo regime foi mau, nos regimes "fascistas" nada é bom, tudo é obra de "forças diabólicas", assim, houve que depurar todos os princípios existentes, Nação, identidade nacional, amor à Pátria, honestidade, lealdade, etc., etc., para "compensar" isso, houve que instituir a "democracia" fosse lá isso o que fosse, os novos "patrões" assim o ordenaram e palavra de "patrão" nesta capoeira é Lei!!!
Claro, que os patetas dos portugueses que "acolheram" o 25/4/74 como se um milagre se tratasse, como se a Virgem Maria descesse à Terra e trouxesse com ela a cura para todas as doenças, ficaram convencidos que essa cura era a tal "democracia", só que não perceberam que para haver democracia é preciso antes que haja verdadeiros democratas, mas aonde é que eles estavam? Quem eram eles? Que fizeram eles para criar essa "democracia redentora"???
Pois é, o busilis da questão é esse, nem havia democratas a sério, havia sim uma cambada de oportunistas que como ratos estavam à espera que o gato virasse costas para irem ao queijo, nem havia interesse que os superiores valores da Nação prosseguissem, assim, nada melhor do que numa primeira fase instituir a desordem, a destruição e a desorganização da Economia, sem a qual, é impossível qualquer nação sobreviver como tal, foi o tempo em que as hordas estupidificadas por propaganda subsirva e enganadora levou a estoirar com o factor fundamental que permitia uma Economia equilibrada, as reservas de ouros e divisas, ou seja a tão famosa "pesada herança", clro que o povo estupidificado a quem era proporcionado um clima de festa permanente não reparou que estava a destruir o seu próprio mealheiro, que não era o dinheiro do "Botas" ou dos "fascistas" que estava a destruir, era o seu próprio dinheiro, que, quando destruia e ocupava as fábricas, herdades e outros equipamentos económicos, não estava destruir os bens dos fascistas, estava a destruir os seus próprios empregos e meios de sobrevivência, claro, que com uma revolta militar que nada tinha de revolução, mas sim de reivindicação profissional por parte dos militares, os quais, como se podia ver pela constituição das várias troupes castrenses predominantes, que iam da extrema-direita à extrema-esquerda, tudo numa farândola de maltrapilhos mentais, meteram-se numa alhada sem saberem como sair dela, claro, que perante esses grupos de ineptos mentais, que, para além das G-3's não percebiam de mais nada, sairam logo os ratos das tocas e foi vê-los a atirarem-se ao queijo, de tal modo, que não só comeram o que havia como ainda mandaram vir mais para se empaturrarem à vontade, é essa a realidade deste quintal, os polítics ditos "democratas" foram na maioria dos casos, a tal cambada de ratos que tudo tem roído, nada deixando para trás, que, com a ajuda doutros ratos estrangeiros ainda conseguiram trazer mais queijo, agora, a factura foi apresentada aos "tarecos" (que somos nós), que foram distraídos tendo deixado os ratos à vontade.
(continua)

Lusitano disse...

(2ª parte)
Por outro lado, com a cartilha do "politicamente correcto", a população portuguesa viu-se impedida de poder ter orgulho na sua herança cultural, na sua História, na sua raça, até neste último ponto, a "raça", os anti-racistas do costume, quiseram "ver" questões raciais aonde não existiam, não querendo ver, que se referia às virtudes do povo português (do antigo) e não a questões étnicas, claro,pois, estão ao serviço das forças que querem destruir (e conseguiram) destruir Portugal enquanto Nação, para eles e para cambada de mentecaptos que os seguem, Portugal tem de ser à força um acampamento de gente amorfa e estúpida, não podem nem tem o direito a reclamarem-se duma Nação com os pregaminhos que Portugal tem, daí, o quererem a abertura de portas e a atribuição da nacionalidade portuguesa a todos que a desejem, como se a nacionalidade que representa acima de tudo a identidade nacional dum povo, se transformasse num produto comercial, que a troco de meia dúzia de tostões se pudesse adquirida por quem o quisesse, o resultado está à vista, muitos dos novos "portugueses" apenas lhes interessa a nacionalidade porque isso permite-lhes viajar a vontade pela UE à procura de emprego ou até, mais facilmentepoderem entrar nos EUA, para já não dizer, que em Portugal se transformam em cidadãos não de 1ª mas de luxo, deixando muitas vezes os "tugas" com gerações em cima, em segundo ou terceiro lugar, o pior é que muita dessa gente não tem pejo de afirmar isso mesmo, muitos já mo disseram, não são os laços históricos, culturais, ou de afinidade que lhes interessam na obtenção da nacionalidade portuguesa, mas, sim, a vantagem de poderem circular à vontade, ou seja , a nacionalidade portuguesa passou a ser uma mercadoria que se vende a quem a quiser comprar e não uma questão de mérito ou honra.
Na mesma linha de gente sem qualquer ligação ao país, estão aqueles portugueses, que apesar de descenderem de gerações e gerações nacionais, não se revêem nem tem interesse em se assumirem como cidadãos portugueses, mas, antes, preferirem serem cidadãos estrangeiros e ver Portugal transformado numa província de Espanha.
Com este género de gente, como quer o meu Caro Amigo que Portugal vá a algum lado, como quer que Portugal se reerga???
Acha que aquela "marcha dos pacóvios", que ontem se realizou em Lisboa a protestarem nem sabem para quê, que foram ali levados pelo instinto de rebanho, que não percebem que o alegado motivo, o PEC I, PEC II, PEC III e todos os PEC's que se seguirem, nada tem a ver com o pseudo governo de paus-mandados que desgoverna Portugal, mas com os seus verdadeiros patrões, os Senhores de Bruxelas e os homens da massa???
Mas, claro, que os organizadores que produziram aquele espectáculo, apenas quiseram tirar uns dividendos políticos e com isso ir buscar mais umas migalhas à gamela, de resto, estão-se a cagar para os patetas dos marchantes, tanto assim é, que as principais forças políticas que promoveram aquele circo, PCP e BE, CGTP, são afinal aqueles que estão apoiar o Governo na construção de TGV's e Aeroportos, ou seja, no aumento do endividamento que mais agravará a situação económica, trazendo mais aumentos de impostos para os totós que ontem fizeram a festa e deitaram os foguetes, aliás, aquilo é um bom exemplo da carneirada que constitui este povo de merda, ninguém lhes vai ligar nenhuma, os pseudo governantes estão-se nas tintas para as suas reivindicações, se as houve, parecendo-me a mim, que foram mais para fazer um (des)concerto de cornetas como os putos de 5 anos do que outra coisa, mas enfim, os capos sabem bem que género de mentecaptos é que constituem aqui a "(ga)linhagem nacional".
(continua)

Lusitano disse...

(conclusão)
Lamento, é que a FE não tenha tido antes uma atitude de esclarecimento aqui aos seus leitores e comentadores, desmistificando aquele arraial e quem o promoveu, ao invés de ter fomentado a ida a esse circo que já

se sabia viciado à partida, mas, também compreendo, é ainda uma Associação recente com muito pouca experiência, pode ser, que com o tempo vá lá.
Sabe, meu Caro Carlos Luís, com tanta "ingenuidade" junta, cada vez acho mais, que ando a perder o meu tempo para nada, parece que falo em chinês, e já vou ficando velhote para tanta falta de proficuidade.
Um abraço.

LUSITANO

Lusitano disse...

Errata:
Entre algumas gralhas, existe uma que é notória, assim, não é:"subsirva", mas "subversiva".
As minhas desculpas.

LUSITANO

Força Emergente disse...

Caro amigo Lusitano
As suas análises continuam a ser esclarecedoras e identificam bem a natureza do problema.
De facto a identidade nacional que pode distinguir um povo de outro, vai sendo aos poucos dissolvida nessa "grande Europa".
O "espirito de grupo" tão necessário em situações como estas que agora vivemos, não existe de facto, se é que alguma vez existiu no seio deste povo embrutecido.
Ultimamente temos sugerido nos nossos posts a comparência em várias manifestações contestatárias que têm sido agendadas por diferentes Entidades.
A razão é esta. Entendemos que se não tomarmos posições mais activas, menor será a possibilidade de um dia podermos ser actuantes.
Nesse sentido também o fizemos com esta última.
Isso porque até havia um "movimento" semi oficial no sentido de garantir pelo menos uma expressão numérica acrescida.
Sobre a mesma e para lá do que escrevemos, o que o meu amigo também já comentou, ou o nosso amigo do Kaos tambem escreveu, aquilo que vimos foi exactamente aquilo que este povo miserável e amorfo é capaz de produzir neste momento. NADA. Hoje nada mais somos que uma massa circulante, sem ideias, sem objectivos e sem capacidade de entender aquilo que está a acontecer.
O pior é que aqueles que entendem estão integrados nas estruturas dirigentes, quer sejam politicas, sindicais, organizativas, empresariais, comunicativas etc e todos continuam a manter os previlègios que o Sistema lhes proporciona.
Aqueles que tambem entendem e se apresentam dispostos a lutar por um novo sistema e uma reposição da dignidade governativa, não conseguem ultrapassar por vezes pequenas divergências e caminharem para uma alternativa assumida no tal espirito de grupo absolutamente essencial.
É por isso que vemos e ouvimos muitos tiros de pólvora seca e nunca mais conseguimos montar o canhão sem recuo.
O meu amigo talvez não saiba, mas dedicámos 5 meses consecutivos, de Maio a Setembro, para contactos e reuniões com diversas organizações politicas e sindicais, criámos uma Plataforma de Intervenção Cívica, definimos um conjunto de objectivos não ideológicos e que correspondiam ao sentir geral destas Entidades e acabámos por ver tudo comprometido, quer pela ausencia de vontade e determinação, quer pelo imcumprimento do que se tinha acordado.
Muitos ainda estavam convencidos que conseguiriam lá chegar sózinhos.
Cito dois casos. MEP e MMS. Como certamente viu os investimentos promocionais feitos por estes partidos nas legislativas foram consideráveis e os resultados frustrantes.
O SISTEMA está blindado.
Só uma revolta bem sustentada, ainda não sabemos por quem ou se haverá, poderá tirar-nos desta situação.
O seu sentimento também já foi e ainda é o nosso. Depois de tudo o que se passou só não abandonámos porque há um futuro no qual sentimos responsabilidade. É que tanto no meu caso como no de outros membros desta associação, temos filhos e alguns já netos. Enquanto pudermos somos obrigados a continuar.
Sabemos que o Lusitano tambem fará o mesmo.
De repente.....quem sabe?
Um abraço, meu amigo.

Nota - Desculpe os erros e a falta de pontuação mas estava de saída e não quiz deixar de lhe escrever já.

Lusitano disse...

Caros
Amigos,
Eu tenho uma grande experiência de Associações de vária índole, não só políticas como de outros géneros, a problema é que os portugueses habituaram-se a que pensem por eles, por isso, ter de haver uma estratégia certa, mas pode ter a certeza que tocando no ponto vital, os portugueses até escoiceiam, e esse momento está quase lá, é apenas uma questão de tempo.
Ainda só agora começaram as dificuldades e já não há por aí nenhum Carmona nem nenhum António Salazar que salvem o quintal, está completamente afundado, não há saída por via deste regime, propaganda podem fazer muita, mas, os bolsos de grande parte dos portugueses estão cada vez mais vazios.
Um abraço.

LUSTIANO

a MÁFIA portuguesa disse...

A manifestação mais pareceu um corso carnavalesco, pois as pessoas estavam mais preocupadas em seguir a ordem dos grupos do que gritar a plenos pulmões o que lhes vai na alma. Até os que entoavam as palavras de ordem faziam o "corso" parecer ainda mais um desfile de mortos-vivos. Até o cuidado de escolherem a Av. da Liberdade com duas ruas laterais, que mantêm o "povinho" afastado das montras milionárias das lojas de marca é notório da forma como se pode manipular a "manada humana" com poucas medidas... Alguma vez a Grécia se compara em Portugal em matéria de esquerda? A esquerda em Portugal está comprada, tantos são os milhões que recebem do Estado e da UE para darem cursos de formação nas suas instalações e se calarem...

JotaB disse...

Artigo de Opinião semanal de Henrique Neto, publicado no semanário Jornal de Leiria:


Crónicas sobre o futuro

José Sócrates deixará um País ingovernável

Finalmente há
uma quase
unanimidade,
visível nos
meios de
comunicação, de que o primeiro
ministro não tem
condições para continuar
a governar o País. O que o
segura é o apoio do Presidente
da República, por
medo das consequências
internacionais de uma crise
política e o calculismo
do PSD, que prefere que seja
o PS a sofrer as consequências
da grave situação
económica e financeira
em que estamos mergulhados.
No PS já começaram
a ser lançadas várias
candidaturas, com a preocupação
habitual de segurar
o essencial dos empregos
e das mordomias do
poder na futura oposição.
Consciente de que no funcionamento
dos partidos
políticos portugueses não
há milagres, vejo com simpatia
uma possível candidatura
de António José
Seguro, ao mesmo tempo
que considero Francisco
Assis um perigo para Portugal
ainda maior do que
José Sócrates. Tendo servido
António Guterres e José
Sócrates, Assis tem todos
os defeitos de ambos e poucas
das suas virtudes, para
além de ser, naturalmente,
bem falante.
Durante a semana, Jorge
Coelho, num momento
de rara candura, veio
recordar-nos que não foi
primeiro ministro porque
não quis. Santa convicção
essa, provavelmente verdadeira,
mas que deverá
fazer pensar os portugueses
sobre a importância que
é dada às suas opções no momento de votar.
Com esta afirmação, Jorge Coelho demonstrou
saber bem como são escolhidos entre
nós os primeiros ministros e tem a consciência
do poder que detinha, porventura ainda detém,
nesse processo. Ou seja, um processo de escolha
feito entre uns poucos militantes e que é
tudo menos democrático.
Entretanto, é hoje claro para todos que a
economia de sucesso de António Guterres e
José Sócrates não passou de uma miragem,
criada sem pudor para ganhar eleições. Talvez
que agora mais portugueses compreendam
as razões porque há muitos anos denuncio
a teia imensa de mentiras e de erros políticos
e económicos com que os governos têm
vindo a destruir o trabalho honrado de milhões
de portugueses. Mesmo enquanto escrevo, o
Governo continua a endividar o País, apesar
dos avisos que nos chegam de todos os quadrantes
e de ser bem visível que a situação
das finanças portuguesas será muito pior em
2014 do que é hoje.

(continua...)

JotaB disse...

Também,
finalmente, muitos
analistas económicos e
comentadores políticos acabaram
por compreender a
enorme incapacidade do
primeiro ministro em antecipar,
ou prever, os acontecimentos,
que é uma condição
essencial para qualquer
estadista e uma necessidade
para antecipar novas
vias de progresso e de
desenvolvimento. A afirmação
recente do primeiro
ministro de que o mundo
mudou em duas semanas
é trágica, porque ignora
a evidência de que a
generalidade dos estudiosos
da economia estão cansados
de saber e de prever
as consequências das
mudanças que há muito
são conhecidas. De facto,
há sempre especulação
financeira nos momentos
de crise e os ataques às
economias dos países enfraquecidos,
por força do seu
endividamento excessivo,
sempre existiu. O mal da
economia portuguesa foram
os anos de endividamento,
a ausência de competência
dos governos e a
insistência em modelos económicos
ultrapassados.
Além, naturalmente, do
saque aos recursos nacionais
por políticos e empresários
desonestos. Aliás,
como aceitar que o primeiro
ministro se tenha
deixado surpreender pelos
ataques especulativos, quando
foi ele que mais liderou
o enfraquecimento da nossa
economia e deixou acentuar
o processo do endividamento
nacional?
Até 2013 o défice do
Estado será suportado por
mais recurso ao endividamento, as novas
obras públicas como o TGV, o aeroporto e
a nova ponte de Lisboa, implicarão mais
recurso à dívida de muitos milhares de
milhões de euros e iniciar-se-á o pagamento
das parcerias público/privadas referentes a
obras, nomeadamente auto estradas, feitas
no passado, e ainda não pagas. Toda esta
dívida adicional será coberta por recurso
ao crédito externo, a custo crescente em
juros, já que o Governo insiste em pagar
aos credores nacionais juros muito inferiores
ao que paga aos credores externos. Nada
disto faz qualquer sentido, nada disto é
suportado numa análise rigorosa da situação
financeira do Estado, das famílias e das
empresas, situação que no seu conjunto é
pior do que a grega. José Sócrates, o Governo
e o Partido Socialista escolheram a via
da irresponsabilidade e um destes dias deixarão
o País endividado ao extremo e largamente
ingovernável.

HENRIQUE NETO
empresário
netohenrique8@gmail.com