segunda-feira, 31 de maio de 2010

Desemprego, um emprego com futuro

As novas oportunidades dos jovens são... os sonhos. Todos nós, quando jovens sonhámos com uma vida melhor. E quase sem excepção fomos atingindo metas, acompanhando o mercado crescente dos anos 80, 90 até ao ano 2000. As nossas vidas melhoraram efectivamente. O mercado expandia-se. As casas alugadas deram lugar às casas compradas a prestações. As famílias criavam riqueza a custo de algumas prestações mensais. Depois, veio Guterres e ficámos a conhecer o conceito "desmantelar" o Estado Português...

Hoje, com Sócrates, é o desemprego que cresce no mercado empresarial e na função pública. É aliás a única coisa que cresce, lado a lado com a Dívida Pública, o Défice e os Impostos... Ouvimos nos cafés as conversas, nos mercados, na praia: desemprego, desemprego, desemprego... O vizinho que está em lay-off, o amigo que deixou de receber a pensão porque se enganaram (ao fim de 10 anos) na morada de envio, a prima que está a receber os 189,50€ do Rendimento Mínimo, o filho que deixou de ir à escola porque não tem dinheiro para o transporte ou para a comida.

Mas segundo Sócrates, "Portugal foi o país da UE que mais cresceu", "o país da UE que mais exportações fez na área das tecnologias do ambiente"...

Os Bancos Alimentares nunca tiveram tanta actividade, tanto trabalho, tanta confusão e... tanto crescimento. Também aqui as filas crescem. Não de desempregados exclusivamente, mas de pessoas que, já desempregadas, entram ou começam a entrar no limiar da pobreza. A Segurança Social já não dá vazão a tantos problemas sociais. Para isso tem delegado em Associações, grupos solidários, paróquias muito do trabalho social que há a fazer e tudo o que ainda, desgraçadamente, está para vir...

Mas esta realidade é, de certa forma, escondida dos Media, onde as notícias negativas para a economia, para o Governo, ou para Portugal são cada vez mais pequenas, quase invisíveis, arremessadas para um canto de uma página ou disposta no meio de outras gigantes notícias "construidamente" positivas. Assim, qualquer cidadão não-português ficará seguro que o caso português é muito diferente do da Grécia...

No bairro onde morei muitos anos enquanto criança e jovem abriu no mês passado, uma frutaria que me lembrou imediatamente a mercearia que outrora ali existiu. A diferença é que, nos anos 70 ainda havia brio e dinheiro para dispor as caixas de fruta em prateleiras. Agora são agrupadas no chão e os preços são de saldo. Estes são sinais preocupantes, mas são sinais da nova realidade. A sociedade do futuro, em Portugal, será a das trocas directas. Deixámo-nos do Escudo, pois agora deixemo-nos do Euro e das peneiras... Vamos mas é garantir a comida à mesa...

posto por Pedro Duarte

3 comentários:

Lusitano disse...

Caro
Pedro Duarte,
Ainda a festa não chegou ao Adro, aliás, acho que ainda nem começou, isto ainda é só a amostra.
Portugal, como venho avisando há muitos anos, há mais de 24 ou 25, não tem quaisquer hipóteses e a não ser que todos os diversos governantes não passassem de bestas quadradas (se calhar até eram), estava mais que visto que com tanto disparate, com tantas facilidades às máfias de todos os tipos e feitios, estava mais que certo qual seria o resultado, e o resultado ainda não está à vista nem pela metade, as falências e encerramentos, principalmente de pequenos comércios e empresas, vão sofrer o efeito dominó, não há quaisquer hipóteses neste regime de salvar o país, há demasiados vícios, criaram-se demasiadas dependências e clientelas para que se possa continuar, assim, ou há uma reviravolta de 180º ou isto cai sem dó nem piedade.
Não podemos continuar a suportar um consumismo criado pela ilusão da 2ª metade dos anos 80 de que éramos ricos, há que voltar ao pequeno estabelecimento, há que suspender de imediato qualquer nova grande superfície, seja lá ela de quem for, há que limitar o comércio seja de que dimensão for, continuem a abrir centros comerciais, super e hipers e vão vê-los dentro de pouco tempo às moscas, até pelo andar da carruagem com aumentos e mais aumentos de impostos, e a mais que prevísivel redução de salários, não vai sobrar nada para manter essas catedrais, e tal como o merceeiro-mor cá do quintal disse há umas semanas "quem tem fome, tem o direito de roubar", pode ser que seja esse o destino das suas mercearias gigantes.
O mal é começar, e não se esqueçam que nós nem sequer temos ilhotas para vender como os gregos, e se pensam na Madeira e nos Açores, tirem o cavalinho da chuva, antes disso o Joãozinho e o César declaram a independência.
Meu Caro Amigo, isto não tem volta a dar, tudo o que o Sr. Sócrates disser não passa de prpaganda e da rasca, nem Portugal, nem os portugueses tem condições em "democracia", de vencer esta crise, tanto mais, que lá pelos States a coisa ainda não está estabilizada e não sei sequer, se virá a estabilizar, na Europa, com a vara de PIGS a berrar por todos os lados, não sei se as Franças e as Alemanhas deste velho continente estarão na disposição de sustentar este estado de decomposição cada vez mais avançado.
Venha o TGV para ver se saímos daqui o mais depressa possível.
Um abraço.

LUSITANO

Mrzepovinho disse...

Caro Lusitano,

Só posso concordar com aquilo que diz, mas eu não tinha visto o problema há tanto tempo... é que com 5 anos ainda não dava para preceber :D

Mas foi quando eu tinha 5 anos que a minha mãe ficou sem subsídio de Férias... e o meu pai desempregado, e nem me apercebi da entrada do FMI cá no quintal dos pobres!

O que eu vejo para o nosso futuro é uma imigração para o interior... os jovens portugueses, sem qualificações (ou com "canudos" inúteis) e sem empregos vão ser obrigados a FUJIR dos grandes centros urbanos para sobreviver... prevejo a criação de comunidades "biotecnlógicas" no interior deste pais deserto, onde há várias vilas e aldeias completamente desertas.

A ver vamos se eu próprio não me vou mudar!

JotaB disse...

NOTÍCIAS DO DIA


DESEMPREGO / A Realidade:
Portugal
Desemprego agrava-se para 10,8% e é o que mais sobe na zona euro

http://economico.sapo.pt/noticias/desemprego-agravase-para-108-e-e-o-que-mais-sobe-na-zona-euro_91153.html


DESEMPREGO / A Ficção:
Novo recorde histórico na taxa de desemprego na Zona Euro

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1583383